Udesc desenvolve técnica para combater vazamentos de petróleo
Em 2010, a explosão da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México provocou o maior vazamento acidental de petróleo da história, despejando cerca de 780 milhões de litros de óleo no mar. Para conter os danos, a operação de emergência utilizou uma quantidade inédita de dispersantes químicos: sete milhões de litros. Embora a medida tenha retirado o poluente da superfície, a longo prazo a mistura tóxica permaneceu suspensa na coluna d'água, contaminando a fauna e provocando problemas de saúde nos trabalhadores envolvidos na limpeza. Como alternativa para mitigar esses prejuízos ecológicos, pesquisadores da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) em Balneário Camboriú (SC) investigam um método de dispersão mecânica que quebra as gotículas de petróleo utilizando jatos d'água sob pressão.
Embora fragmente o óleo em gotas minúsculas que facilitam a biodegradação pelas bactérias marinhas, a combinação do petróleo com o produto químico espalha toxicidade nas águas. Além disso, a digestão biológica dos microrganismos é lenta e enquanto ela acontece, bilhões de gotículas flutuam pelo oceano, aumentando os riscos de peixes e outros animais engolirem partículas de petróleo. "Nosso estudo busca demonstrar que o impacto mecânico pode ser uma alternativa viável ao uso do dispersante. Não queremos acabar com um problema ambiental acrescentando outro químico à água", afirma Luiz Adolfo Hegele Júnior, professor do Departamento de Engenharia de Petróleo da Udesc Balneário Camboriú, líder do laboratório Geoenergia e coordenador do Subjet, projeto da Udesc em parceria com a Petrobras. Voltada à mitigação de danos, a pesquisa da Udesc produz dados que aceleram ações de resposta nos acidentes de vazamento, cujos custos econômicos e ambientais são bastante elevados.
Com aporte de R$ 13 milhões financiados pela Petrobras, o projeto Subjet vai produzir, até janeiro de 2027, uma simulação em grande escala de dispersão mecânica do derramamento de petróleo. A ideia é fornecer à companhia dados precisos sobre a força e o volume dos jatos de água de alta pressão que devem ser lançados sobre o óleo para que ele se fragmente em microgotas e permaneça submerso. A validação experimental da dispersão mecânica submarina contou com a colaboração do Sintef Ocean, instituto norueguês reconhecido internacionalmente nos experimentos de dispersão e comportamento do óleo no ambiente marinho. O centro de pesquisa europeu utiliza tanques de ondas e injetores de óleo. Nesses ambientes controlados, cientistas conseguem medir o diâmetro exato das gotas geradas pela dispersão física. Os ensaios realizados na Noruega servem para validar as análises computacionais feitas em laboratório pelos pesquisadores da Udesc. No entanto, embora o Subjet utilize os testes europeus como base, a calibração final precisa traduzir o comportamento do petróleo brasileiro sob as condições físico-químicas do nosso litoral.O Subjet participa de uma transferência de tecnologia em andamento entre a Noruega e o Brasil. Esse processo envolve tanto o compartilhamento de conhecimento científico entre os centros de pesquisa quanto o aprimoramento da infraestrutura física da Udesc. Como resultado, os laboratórios do curso de Engenharia de Petróleo começaram a receber equipamentos de ponta para realizar ensaios próprios, semelhantes aos do instituto norueguês. Parte dos recursos foi alocada para a criação de postos de trabalho em regime de carteira assinada na equipe da Udesc Balneário Camboríú, além do financiamento de bolsas de Iniciação Científica para estudantes de graduação, pesquisadores de pós-doutorado e gratificações para os professores envolvidos. Ao todo, o Subjet reúne 25 pesquisadores dedicados ao desenvolvimento da pesquisa. Com a expectativa de finalização do projeto até janeiro de 2027, a equipe procura novas fontes de financiamento para dar continuidade às pesquisas do laboratório Geoenergia.
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