A China na Exposibram 2026
Grandes empresas chinesas de máquinas pesadas e de diferentes áreas do setor da mineração participaram da edição 2026 da Exposição & Congresso Brasileiro de Mineração (Exposibram), em Belo Horizonte, de 24 a 28 de agosto. Com 106 mil visitantes, segundo a organização do evento, e grande quantidade de máquinas de todo tipo e tamanho expostas na área externa do Expominas, essa edição da Exposibram impressionava logo na entrada.
Tomando como parâmetro as duas edições da Exposibram que visitei na década passada, essa foi a maior e mais movimentada. A grande participação de empresas da China, na área externa e em dezenas de estandes internos, coincide com a informação que teriam triplicado os investimentos chineses no setor em 2025, atingindo a maior participação até então. Segundo estudo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), publicado em maio de 2026, "esse movimento reflete o interesse estratégico da China por minerais críticos – como cobre, níquel, ouro, grafite e terras raras."
A abertura da Exposibram, dia 24, contou com a participação do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, que assegurou em seu discurso que o governo confia na aprovação, pelo Senado Federal, do projeto de lei que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (Pnmce). O ministro anunciou aumento considerável de recursos para o Serviço Geológico do Brasil (SGB), dos atuais – e inacreditáveis – R$ 8 milhões, para R$ 300 milhões em 2027, para viabilizar pesquisas a respeito do potencial mineral brasileiro (hoje o conhecimento é restrito a apenas 28% do território), e prometeu destinar R$ 50 milhões ainda esse ano para o SGB.
Pablo Cesário, presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), defendeu que o setor avance para além do conceito de sustentabilidade, buscando "uma contribuição líquida e positiva para a sociedade". E exaltou a importância da mineração na inovação tecnológica: "O futuro é um binômio entre mineração e conhecimento. Se há energia verde, se há bateria, se há inteligência artificial, por trás disso tudo está a mineração, assegurou. Citou a aprovação do PL 699/2023, que institui o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), e do PLP 114/2026, que preserva benefícios tributários destinados à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e ao Profert. Citou como exemplo a dependência brasileira de enxofre e defendeu políticas capazes de estimular a formação de cadeias industriais próximas às reservas minerais.
Máquinas imensas, da SANY, LiuGong e XCMG, disputavam espaço e clientes com as de indústrias tradicionais no setor de mineração. A XCMG é líder no segmento de máquinas pesadas na China, e é a terceira maior do setor no mundo. Com indústria instalada em Pouso Alegre (MG) em 2014, a XCMG foi a pioneira em caminhões elétricos no Brasil. Para a Exposibram levou a carregadeira híbrida XC988-HEV (lançamento), e o caminhão XDE130, com capacidade de 120 toneladas de carga. Participaram como patrocinadoras "platina" a CMOC, mineradora instalada em Catalão (GO), e a Huawei do Brasil, grande consumidora de minerais. Dentro do pavilhão, ocupando um bloco de estandes pequenos, e com mais alguns espalhados, dezenas de empresas chinesas, principalmente das províncias de Zhejiang e Shandong, mas também de Henan, Liaoning, Jiangsu, Hebei e Anhui, chamavam a atenção dos visitantes. Alguns com atendentes falando português, a maioria se virando em inglês, todos se desdobrando para apresentar suas empresas e produtos.
A edição 2027 da Exposibram será em Belém (PA), de 20 a 23 de setembro. Dado o enorme interesse que há na China pela Amazônia, e a significativa importância mineral do estado do Pará, pode-se apostar que aumentará ainda mais a participação de empresas e visitantes da China no evento.
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