Educação para o mercado de trabalho é discutida em fórum no Instituto Caldeira

Primeira edição do EduCA reuniu instituições e referências para compartilhar boas práticas da formação de jovens
Com mais de 40 atividades, evento reúne especialistas e executivos de empresas como TikTok, IBM, Salesforce em dois dias de programação (Foto: Instituto Caldeira/Divulgação)
O Instituto Caldeira realizou, nos dias 12 e 13 de junho, em Porto Alegre (RS), a primeira edição do EduCA, evento gratuito e aberto ao público voltado à discussão sobre educação para o mundo do trabalho. A iniciativa, apresentada em parceria com a Fundação Itaú e a Fundação Telefônica Vivo, reuniu mais de 500 lideranças empresariais, representantes do setor público, organizações sociais, educadores e jovens em uma programação dedicada à formação de talentos, empregabilidade e inclusão produtiva.

O EduCA surge em meio ao avanço do debate sobre escassez de mão de obra qualificada e sobre os desafios enfrentados por jovens para acessar oportunidades profissionais, especialmente em setores ligados à nova economia e à tecnologia. "O EduCA nasce da necessidade de aproximar dois mundos que historicamente caminharam de forma desconectada: o da educação e o do trabalho", explica Felipe Amaral, diretor de educação e talentos do Instituto Caldeira. "Nosso objetivo é transformar o evento em um espaço de construção prática. Queremos reunir empresas, educadores, governos e organizações para discutir soluções concretas de inclusão produtiva e desenvolvimento de talentos."

Quem educa para o trabalho?
O painel "A Educação para o mundo do trabalho" conectou o ponto de vista de representantes das empresas Fundação Telefônica Vivo e Itaú Educação e Trabalho no fomento da educação como complemento a atuação das políticas públicas, postura defendida pela Secretária da educação do Rio Grande do Sul, Raquel Teixeira. "A educação é importante demais para ficar a cargo apenas da Secretaria da Educação", destacou. A presidente da Vivo, Lia Glaz, enfatizou a importância do ensino técnico profissionalizante e defende que é papel do terceiro setor atuar em sua difusão. Ela exemplifica o trabalho da instituição onde atua, e compartilha o aprendizado de adequar a atuação às demandas das secretarias de educação. "É muito difícil uma fundação imaginar que vai trazer um projeto pronto e ele vai ser igual no Brasil inteiro", relata.

Seu pensamento encontra eco no da superintendente de Educação e Trabalho no Itaú, Silvana Oliveira. "No início entendíamos que uma solução pronta seria regional, mas aprendemos que as singularidades são fundamentais para ganhar escala", avalia. Ela recomenda que as instituições nacionais tenham um plano geral pautado pelas políticas nacionais da educação que respeite as especificidades dos estados. Para isso, pesquisas, painéis de monitoramento e acompanhamento dos dados de cada estado são fundamentais. E defende, também, que a educação técnica tenha igual valorização ao ensino superior tradicional.

Raquel, então, lembra que o papel da escola é fundamentalmente o da educação formal, mas que o mundo, hoje exige mais do que só conhecimento cognitivo. E que, especialmente para jovens de baixa renda, é necessário uma rede que possibilite sua transição para o mercado de trabalho — e isto é papel de toda a sociedade. "Acho fundamental essa clareza de como essas articulações acontecem", ressalta o diretor de educação do Instituto Caldeira, Felipe Amaral, que mediou a discussão.
Pontes entre educação e emprego na prática
Ao passo que as instituições discutem boas-práticas para impulsionar a colaboração no fomento à educação, outras organizações relembram que o protagonismo neste tema é da juventude. O painel "Como organizações conectam educação e emprego na prática" reuniu duas instituições globais que executam projetos educacionais e profissionalizantes, além do Geração Caldeira, braço educacional do Instituto Caldeira.

A Chief Learning Officer da ONG Generation, que atua na identificação de habilidades necessárias para as carreiras emergentes e atua em 17 países, enfatiza a necessidade do aprendizado contínuo e do desenvolvimentos de habilidades como o pensamento crítico e a resolução de problemas. "O mundo de aprender e depois trabalhar se foi", declara.  O diretor de educação do Instituto Caldeira, Felipe Amaral, compartilha que o Generation foi um benchmark para o Geração Caldeira. E que, na instituição gaúcha, o diferencial é a integração do projeto com as empresas ligadas ao instituto, o que proporciona vivências importantes para os jovens. "Quando eles veem que há outros jovens trabalhando nas empresas, eles pensam 'talvez isso seja pra mim também'", declara.

A assistente de programas do Aspen Institute Gabriela Carmo, que trabalha com "jovens potências" ao redor do mundo, também enfatiza a importância da colaboração entre múltiplos setores, mas lembrando da centralidade da juventude neste processo. "Nós falamos dos jovens como um problema a ser solucionado, como gaps de habilidades a serem preenchidos, e não como indivíduos", critica. Gabriela incentiva a ver os jovens como parceiros, capazes de desenhar soluções para os problemas que vivenciam — com o apoio de múltiplos agentes.

EduCA
O EduCA faz parte da frente de educação e talentos do Instituto Caldeira, iniciativa criada para aproximar jovens das oportunidades da nova economia e ajudar empresas a enfrentar a escassez de mão de obra qualificada. A estratégia educacional do Caldeira tem como maior destaque o Geração Caldeira, programa voltado à capacitação e empregabilidade de jovens de escolas públicas. No primeiro dia, centrado em lideranças executivas, governos e profissionais da educação, os painéis abordaram temas ligados à empregabilidade, formação técnica, desenvolvimento de competências e conexão entre educação e mercado. O evento apresentou experiências práticas e modelos já adotados por empresas e organizações para reduzir o descompasso entre formação e demanda profissional.

No segundo dia, no sábado (13), o espaço foi ocupado pelo chamado Dia D Caldeira, já parte tradicional da agenda anual do hub. A programação foi direcionada a estudantes de escolas públicas que participam do processo seletivo do programa Geração Caldeira, iniciativa educacional gratuita do instituto voltada à formação de jovens para o mercado de trabalho. A agenda teve mais de 50 atividades interativas conduzidas por empresas, educadores, criadores de conteúdo e especialistas, a fim de aproximar os participantes de oportunidades de formação, empregabilidade e empreendedorismo.

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Segunda, 15 Junho 2026

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