Salário, qualidade de vida e oportunidades de crescimento atraem jovens gaúchos para fora do RS

Pesquisa que mapeou como jovens enxergam seus projetos pessoais em território gaúcho revela que 93,6% estão abertos a sair do estado
Para os jovens, apesar de o tradicionalismo promover pertencimento, cultura engessada limita oportunidades

Apenas um a cada dez jovens gaúchos não considera sair do estado em busca de melhores oportunidades. Apesar de 88% associarem o Rio Grande do Sul a algo positivo, 94% dos gaúchos sairiam do estado para abraçar uma oportunidade. As conclusões partem da pesquisa "O sonho do jovem gaúcho", realizada pela consultoria de inteligência estratégica ACE Post-Consultancy em conjunto com o governo estadual. O levantamento mapeou o comportamento, os medos e as ambições da população do Rio Grande do Sul entre 18 e 32 anos após as enchentes de 2024.

O estudo foi apresentado durante o evento Juventude do Amanhã, organizado pelo South Summit Brazil e pelo governo do Rio Grande do Sul. 

Família retém, economia repele
A maior motivação para deixar o estado é o salário. Para quatro em cada dez jovnes, dinheiro e renda são a maior fonte de pressão. "Essa dureza traz um lugar de pressão e de medo de ficar para trás", diz Luciane Paim, sócia da ACE. A pesquisa mostra que 27% sentem-se pressionados pela carreira ou futuro profissional e 59% têm medo de ficar para trás com relação às pessoas de sua idade. Luciana analisa que os jovens se veem obrigados a trocar sonhos por planos concretos. "Quando a sociedade comprime esse espaço por excesso de pressão, a gente encolhe o sonho", declara. 

Tradições causam sentimentos ambivalentes
O conflito geracional reforça as tensões impostas pela tradição. O estudo aponta que há tensão entre o que a cultura valoriza e o que o jovem deseja. Apenas 8% dos jovens se sentem ouvidos nas decisões sobre o futuro do Rio Grande do Sul, algo que reforça a sensação de desconexão. "A tradição é importante, ela vincula, mas não pode ficar 100% ancorada no passado", aponta Luciana. Ao mesmo tempo que as normas culturais causam pertencimento, também são fonte de angústia, o que revela a sensação de ambivalência dos jovens em relação ao estado. O medo de errar também é presente: 39% consideram o Rio Grande do Sul um estado desafiador para os jovens. "Parece que não tem espaço para criar. Parece que tudo tem que nascer pronto, que já tem que ter todas as respostas", exemplifica a sócia da ACE.

Oportunidades limitam sonhos
Apesar do desejo de deixar o estado ser presente nesta parcela da população, 45% afirmam querer construir a vida no Rio Grande do Sul. Para o presidente da Invest RS, Rafael Prikladnicki, as conclusões não devem ser vistas como um limitador para o crescimento do estado. Pelo contrário, ele incentiva que os jovens saiam em busca de desenvolvimento pessoal e profissional, mas diz que é responsabilidade das instituições e empresas criarem condições atrativas para que retornem. "Não temos o direito de prender ninguém, mas temos a responsabilidade de atrair", declara.

Em nota, o governo afirmou que os dados serão usados para subsidiar as políticas de retenção de talentos e o pilar de "Capital Humano" do Plano de Desenvolvimento Econômico, Inclusivo e Sustentável do Estado. "A partir dessa pesquisa, desses sonhos e ambições, vamos fazer com que essas oportunidades e esses ambientes cheguem a todos e a todas, para que os jovens continuem sonhando, mas que enxerguem o caminho de volta" , declarou  Prikladnicki.

Durante o evento houve o lançamento do Movimento Pela Juventude do Amanhã, uma integração entre Invest RS, Caldeira, South Summit, Tecnopuc Sistema Fiergs, Fecomércio-RS, Farsul e Sebrae. O objetivo é reunir entidades que desenvolvem programas voltados à juventude gaúcha para promover ações de forma coordenada.

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Sexta, 26 Junho 2026

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