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Rendimento impacta acesso da população a bens tecnológicos e internet

Há uma diferença de renda per capita nos domicílios que não têm nem computador nem tablet, revela pesquisa do IBGE
O principal meio de acesso à internet é o telefone celular, já próximo de alcançar a totalidade dos domicílios

O rendimento médio per capita dos domicílios que utilizavam a internet foi de R$ 1.769 em 2018, quase o dobro da parcela que não utilizava a rede (R$ 940). A renda das famílias impacta também o meio de acesso, já que entre os lares que utilizaram tablet e televisão para acessar à internet, os ganhos eram de R$ 3.538 (tablet) e R$ de 3.111 (TV), enquanto naqueles que usaram microcomputador e celular os rendimentos foram de, respectivamente, R$ 2.569 e R$ 1.765. Esses são alguns dos dados revelados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) que investigou, no quarto trimestre de 2018, o acesso à Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Pela primeira vez, o estudo incluiu dados sobre rendimentos médio e sua relação com os diferentes tipos de serviços (veja os gráficos abaixo e, também, a pesquisa completa ao final desta reportagem).

A pesquisa aponta que o número de domicílios com acesso à internet subiu de 74,9% em 2017, para 79,1%, em 2018 – na área urbana, o percentual cresceu de 80,2% para 83,8%, e na rural, saltou de 41% para 49,2%. "Há ainda 14,9 milhões de domicílios sem acesso à internet. Os principais motivos foram falta de interesse (34,7%), serviço caro (25,4%) e nenhum morador sabe usar (24,3%)", elenca Maria Lucia Vieira, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE.

A pesquisa também traz dados relativos aos hábitos dos usuários. Foram estimadas 181,9 milhões de pessoas, das quais para 74,7%, ou três quartos da população, acessavam à internet – ante 69,8% em 2017. O percentual varia de acordo com as regiões: na Norte são 69,7%; na, Nordeste, 74%; na, Centro-Oeste 81,5%; e na, Sudeste 81,1%. As mulheres são as que mais acessam e passaram de 70,7% para 75,7%, enquanto entre os homens, o percentual aumentou de 68,8% para 73,6%. "As faixas etárias de 18 a 19 anos (90,3%), 20 a 24 (91%), e 25 a 29 anos (90,7%), têm os maiores percentuais de utilização. Mas o maior crescimento se deu entre os idosos, aqueles acima de 60 anos, cujo percentual saltou 7,5 pontos percentuais passando de 31,2% para 38,7%. Isso pode ser resultado pelo aumento do acesso pelo celular", analisa Maria Lucia.

Impacto da renda na posse de equipamentos
A pesquisa aponta uma redução no número de domicílios com posse de microcomputador, tablet e telefone fixo. O percentual de domicílios com computador caiu de 43,4%, em 2017 para 41,7%, em 2018. O percentual de domicílios com tablet representa apenas 30% dos que têm computador, e caiu de 13,8% para 12,5%.

Há uma diferença de renda per capita nos domicílios que não têm nem computador nem tablet - menos de um salário mínimo (R$ 957) - para os que tinham pelo menos um deles (R$ 2.404). "O rendimento médio dos domicílios somente com tablet (R$ 1.305) ficou perto de 2/3 daquele dos que tinham somente microcomputador (R$ 2.046) e alcançou R$ 3.798 nos que tinham ambos os equipamentos", ressalta Alessandra Scalioni Brito, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

Em 2018, não havia telefone - fixo ou móvel - em 5,1% dos domicílios. O percentual é mais elevado nos domicílios nas Regiões Norte (10,0%) e Nordeste (9,6%), enquanto nas demais não ultrapassou 3%. O rendimento real médio per capita desses domicílios (R$ 728) representou menos da metade daquele dos que tinham telefone (R$ 1 643). Houve uma queda de 31,6% para 28,4% dos domicílios com telefone fixo e os que tinham celular permaneceu estabilizado em mais de 90%, passando para 93,2% em 2018. "Cresceu o número de domicílios que têm só celular", diz Alessandra.

Celular é o principal meio de acesso
O principal meio de acesso à internet é o telefone celular, já próximo de alcançar a totalidade dos domicílios, sendo utilizado por 98,7% dos domicílios em 2017 e por 99,2% em 2018. Os microcomputadores são o segundo meio mais utilizado, mas o percentual de domicílios onde esse meio é utilizado caiu de 52,4% em 2017 para 48,1% em 2018; assim como também os que utilizam o tablet, cujo percentual caiu para de 14,5% para 13,4% dos domicílios. "Também aumentou o percentual de domicílios que acessam à internet apenas pelo celular – de 43,4% para 45,5% - ou seja, quase metade dos domicílios usam apenas o celular", pontua Maria Lucia.

Os novos recursos das TVs fizeram com que o percentual dos domicílios que utilizam este meio para acesso à internet subisse de 16,1%, em 2017, para 23,3% em 2018. "Foi o tipo de acesso que mais cresceu o que pode estar relacionado à finalidade do uso da internet. Nesse caso, pode ser o crescimento no hábito de assistir filmes e séries por serviços de streaming", nota Maria Lucia.

A posse do celular para uso pessoal atingiu 79,3% das pessoas, percentual que varia de acordo com as grandes regiões. Os maiores percentuais são no Centro-Oeste, 86,2%; no Sul, 84,3%; e no Sudestes, 84,1%. Norte, com 60,4% e Nordeste, com 60,7%, foram as regiões com menores percentuais. Em relação ao perfil, 80,7% das mulheres têm celular e entre os homens o percentual é de 77,8%. Em termos etários, o perfil não é tão jovem quanto os que acessam à internet (maior percentual entre 18 a 29 anos). Os grupos etários de maior utilização concentraram-se na faixa de 25 a 39 anos. Nos grupos de 25 a 29 anos o percentual é de 89,7%; de 30 a 34 anos, o índice é de 90,3% e de 35 a 39 anos, 89,5%.

"Além disso, quanto maior a escolaridade maior o percentual de pessoas com posse de celular. Mas enquanto no acesso à internet 12% das pessoas sem instrução usavam a rede; no caso da posse de celular, o percentual é maior. Entre os que não têm instrução, 37,3% possuem celular, lembrando que muitas vezes o celular é um meio de contato para as pessoas conseguirem trabalho, principalmente entre os informais", pontua Maria Lucia. Entre os 37,6 milhões de pessoas que não têm celular (20,7%), 28% alegaram que o aparelho é caro; 24,2% porque não têm interesse; 19,8% porque não sabiam usar; e 16,6% porque utilizava o celular de outra pessoa.

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Sábado, 08 Agosto 2020

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