Como o desmatamento da Amazônia ameaça produção de grãos do Paraná
As secas que afetam o Sul do país ameaçam diretamente uma região que concentra 60% da produção de grãos, 41% da energia hidrelétrica e 23% da pecuária do Paraná. Esse déficit hídrico está estatisticamente ligado à Amazônia: o aumento do desmatamento reduz a precipitação na bacia do rio Iguaçu, polo que gera 41% da energia hidrelétrica paranaense. É o que indicou uma pesquisa conduzida pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicada na revista científica Brazilian Journal of Biology, acendendo o alerta de que a perda florestal na região Norte já afeta a segurança econômica e o abastecimento de água potável a milhares de quilômetros de distância.
A floresta alimenta um sistema de circulação atmosférica transporta corredores de umidade para o Sul do Brasil. O avanço das motosserras e do fogo sobre o bioma compromete essa engrenagem de forma severa. "Com a remoção da vegetação amazônica, ocorre uma redução da quantidade de água liberada para a atmosfera pela floresta, diminuindo a disponibilidade de umidade que alimenta esses sistemas de transporte. A alteração no ciclo das chuvas representa um risco socioeconômico, afetando a produção de alimentos, a geração de energia e a estabilidade de atividades que dependem diretamente da água", explica a pesquisadora Ana Carolina da Silva.
O impacto da intervenção humana na floresta mostra-se mais forte e rigoroso que os próprios ciclos climáticos naturais. A análise dos dados revela que a perda florestal disparou especialmente a partir de 2020, período que coincidiu em parte com a vigência do La Niña. Em condições normais, o fenômeno concentra mais umidade sobre a bacia amazônica e atua como um freio contra o fogo. O levantamento constatou, no entanto, que a Amazônia registrou mais de 222 mil focos de incêndio em 2020, o que representa um aumento brutal de 120% em relação à média dos anos anteriores, atropelando a barreira climática natural. As taxas de desmatamento atingiram a marca de 2.095 quilômetros quadrados destruídos apenas no mês de julho de 2021.
Com Agência Bori
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