Você quer vender para a China?
A maior parte das empresas no Brasil estão mais interessadas em comprar do que em vender para a China. As que estão interessadas em vender, em geral do setor de alimentos e bebidas, penam com os problemas conhecidos: produzem pouco, têm pouca ou nenhuma experiência internacional e falta-lhes capital para investir visando exportar seus produtos. Além dos muitos itens agropecuários exportados "in natura" ou apenas beneficiados, temos uma enormidade aguardando a vez de serem descobertos, produzidos em escala e industrializados, como a macaúba e o bambu. Somados aos muitos produtos pouco conhecidos e ainda por descobrir, da biodiversidade existente nos biomas brasileiros, seguramente há mais de 100 boas opções a serem ofertadas no mercado mundial.
Algumas experiências bem-sucedidas, de produtos da biodiversidade da Amazônia, da Caatinga, do Cerrado e de outras regiões, animam quem busca mercados mais distantes, como a China, por exemplo. Somar o que diferentes cooperativas produzem, para alcançar um volume minimamente aceitável, esbarra sempre na necessidade do padrão. Isso vale para castanha de caju, cachaça, ou a incrível baru, a castanha do Cerrado com sabor que lembra o do amendoim. A baru já conquistou a Europa, o que pode ajudar a entrar na China e em outros países asiáticos.
A boa notícia é que daqui a pouco tempo, de 5 a 10 de novembro, ocorrerá em Shanghai a 9ª edição da Feira de Importação da China – CIIE, verdadeira "vitrine inversa", já que o evento é para a China comprar do mundo, e não o contrário, como acontece nas mais de 800 eventos do gênero que ocorrem no país anualmente. Essa é, literalmente, "a" oportunidade para quem quer
vender para a China. Outra boa notícia é que a Apex-Brasil estará, mais uma vez, participando da CIIE com empresas brasileiras do setor de alimentos e bebidas. Quem se inscreveu a tempo participará com estande. Quem quiser participar com estande a partir de 2027, avalie visitar a CIIE neste ano tomando o cuidado de se inscrever com antecedência no site da feira para conseguir entrar no evento.
Lembrando que essa feira de importação foi criada pelo governo chinês para efetivar a decisão política, anunciada no 12º Plano Quinquenal, em 2011, de realizar o desenvolvimento econômico do país via consumo interno, e não mais centrado nas exportações, como aconteceu a partir de 1980, com o Plano de Reformas e Abertura. Portanto, a CIIE não é apenas mais uma feira comercial – ela é a efetivação, na prática do mercado, da mais importante decisão de política econômica da China no Século 21. Quem acompanha o noticiário da China sabe que aumentar o consumo doméstico chinês, nas proporções desejadas, tem sido um esforço muito grande, porque a tradição chinesa é poupar, ao invés de consumir. E as suas exportações continuam "bombando": o superávit comercial foi recorde no ano passado: US$ 1,2 trilhão.
Veja mais notícias sobre BrasilEconomiaMundoSul for Export.
Comentários: