Trump anuncia taxa de 10% para produtos brasileiros

Para a China, a taxa será de 34% e, para a União Europeia, de 20%
Durante evento na Casa Branca, Trump disse que tornará os "Estados Unidos grande novamente"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) um "tarifaço" global sobre impostos de importação. A data foi nomeada pelo republicano como o "Dia de Libertação". Ele confirmou uma taxa de 10% para os produtos brasileiros. Para a China, a taxa será de 34% e, para a União Europeia, de 20%. "Vamos cobrar aproximadamente metade do que outros países cobram de nós", enfatizou o presidente, ao mostrar uma tabela com nomes de diversos países, onde continham percentuais de tarifas que eles cobram dos Estados Unidos no comércio e a taxa que Washington passaria a aplicar.

"Fomos gentilmente recíprocos, não totalmente recíprocos", fez questão de dizer. Trump exemplificou que o imposto cobrado pela China é de 67% e os norte-americanos aplicariam uma taxa de reciprocidade de 34%, praticamente metade do índice. No caso da União Europeia, para uma taxa de 39% os Estados Unidos cobrarão uma sobretaxa de 20%. No caso do Brasil, a tabela apontou o mesmo percentual (10%). Durante evento na Casa Branca, ele disse que tornará os "Estados Unidos grande novamente". No anúncio, Trump ainda fez críticas aos governos passados, em especial a administração de Joe Biden, por terem deixado outros países aplicarem elevadas taxas aos produtos norte-americanos, impactando a indústria nacional. Segundo ele, esses países "estão roubando" e "levando vantagem" dos Estados Unidos.

Após a divulgação sobre as tarifas, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) publicaram uma nota conjunta. Nela, o governo brasileiro lamenta a decisão tomada pelo governo norte-americano. "A nova medida, como as demais tarifas já impostas aos setores de aço, alumínio e automóveis, viola os compromissos dos Estados Unidos perante a Organização Mundial do Comércio e impactará todas as exportações brasileiras de bens para os Estados Unidos", informa o documento.

"Segundo dados do governo norte-americano, o superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil em 2024 foi da ordem de US$ 7 bilhões, somente em bens. Somados bens e serviços, o superávit chegou a US$ 28,6 bilhões no ano passado. Trata-se do terceiro maior superávit comercial daquele país em todo o mundo. Uma vez que os Estados Unidos registram recorrentes e expressivos superávits comerciais em bens e serviços com o Brasil ao longo dos últimos 15 anos, totalizando US$ 410 bilhões, a imposição unilateral de tarifa linear adicional de 10% ao Brasil com a alegação da necessidade de se restabelecer o equilíbrio e a ´reciprocidade comercial´ não reflete a realidade", aponta o governo brasileiro.

Na nota, as pastas afirmam que o governo do Brasil buscará, em consulta com o setor privado, defender os interesses dos produtores nacionais junto ao governo dos Estados Unidos. "Ao mesmo tempo em que se mantém aberto ao aprofundamento do diálogo estabelecido ao longo das últimas semanas com o governo norte-americano para reverter as medidas anunciadas e contrarrestar seus efeitos nocivos o quanto antes, o governo brasileiro avalia todas as possibilidades de ação para assegurar a reciprocidade no comércio bilateral, inclusive recurso à Organização Mundial do Comércio, em defesa dos legítimos interesses nacionais. Nesse sentido, o governo brasileiro destaca a aprovação pelo Senado Federal do projeto de lei da reciprocidade econômica, já em apreciação pela Câmara dos Deputados", finaliza a nota. 

Preocupação e cautela
O anúncio de tarifas adicionais de 10% sobre os produtos brasileiros foi recebido com preocupação e cautela pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a instituição, é preciso fazer uma análise detalhada das medidas divulgadas hoje pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e insistir no diálogo para preservar uma relação bilateral histórica e complementar entre o Brasil e os Estados Unidos. "Claro que nos preocupamos com qualquer medida que dificulte a entrada dos nossos produtos em um mercado tão importante quanto os EUA, o principal para as exportações da indústria brasileira. No entanto, precisamos fazer uma análise completa do ato. É preciso insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas", avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.

Com objetivo de estreitar laços e buscar soluções de interesse comum com os Estados Unidos, a CNI levará um grupo de empresários brasileiros ao país na primeira quinzena de maio. A expectativa é que a comitiva se reúna com representantes da indústria e do governo norte-americano para discutir agendas de facilitação de comércio e abertura de mercados de forma equilibrada. "Reiteramos a disposição da indústria de contribuir com as negociações com os parceiros americanos. A missão empresarial estratégica tem justamente o objetivo de aprofundar o relacionamento e discutir caminhos para fortalecer a cooperação e o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos", explica Alban.

Com ABR

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Quinta, 03 Abril 2025

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