Agilidade é o nome do jogo

Pandemia fez com que empresas e executivos mudassem hábitos de gestão e até mesmo alterassem foco dos negócios
Yuan prevê que uma pessoa poderá sentir o cheiro do café da outra, mesmo à distância, via Zoom

A crise econômica provocada pelo novo coronavírus fez com que o Costão do Santinho, o resort mais lembrado no Top Executivo, amargasse um prejuízo de R$ 50 milhões. Mas não perdeu tempo com lamentações – pelo contrário. Vislumbrou uma oportunidade e lançou uma nova proposta de espaços "indoor" e "outdoor", batizado de "Costão In & Out".

Tudo se integra ao Indoor, infraestrutura fechada do parque de eventos, com espaços e salas modulares nos mais diversos formatos, com capacidade para até 4 mil pessoas, divididas em 20 salas, para todos os tamanhos de eventos. A ideia, em um resort até então totalmente adaptado ao Indoor, é exclusiva no setor e um marco no mercado de produção de eventos.

Mudanças e iniciativas como as da grife hoteleira de Florianópolis se tornarão cada vez mais usuais, segundo fontes entrevistadas por AMANHÃ. Dentro de casa e na rua, as pessoas passaram a valorizar espaços abertos. Cozinhar, ler um bom livro ou ver um filme no sofá da sala tornaram-se atividades mais prazerosas. O e-commerce foi redescoberto, os pequenos negócios locais passaram a ser mais valorizados e o delivery recebeu um impulso.

Dentro das empresas, descobriu-se que o home office e as reuniões virtuais funcionam muito bem e, em muitos casos, dispensam a presença física. É evidente que os negócios e o ambiente corporativo não serão completamente virtuais, mas é bem provável que muitas atividades adotem um modelo híbrido, viabilizado pelos avanços tecnológicos. "Essas mudanças valem tanto para B2C quanto B2B. O que funcionou bem durante a pandemia deve ser incorporado na vida das pessoas e no dia a dia empresarial", prevê Lélis Espartel, coordenador do programa de pós-graduação em administração da PUCRS.

Ivan Lapuente Garrido, professor da escola de gestão e negócios da Unisinos, destaca ao menos três aprendizados. O primeiro é a necessidade da rápida adaptação, pois as empresas foram desafiadas a ser mais ágeis e mais flexíveis e tiveram de se adaptar a constantes mudanças em termos de leis e normas, sejam elas sanitárias, trabalhistas ou legais. O segundo foi a digitalização.

A absorção da tecnologia foi intensa e transversal, com o surgimento de novos sistemas de vendas e meios de comunicação com os clientes. E isso ocorreu, é bom lembrar, em todas as companhias, independentemente do porte, principalmente para as pequenas, que tinham o uso da TI como algo menos acessível, tanto por recursos financeiros como por recursos culturais. Além da maior produtividade dos funcionários, algumas empresas lucraram muito com novas ferramentas que proporcionam reuniões virtuais.

O Zoom é o maior exemplo disso, pois triplicou seu faturamento em 12 meses. Avaliado hoje em US$ 95 bilhões, a companhia transformou seu fundador Eric Yuan em uma das pessoas mais ricas do mundo, com fortuna estimada em US$ 14,2 bilhões. Detalhe: Yuan já era bilionário em 2019, quando a empresa fez um mega IPO.

Questionado sobre o que vem pela frente, o empreendedor destacou que o software seguirá em evolução, principalmente empregando inteligência artificial e realidade virtual. "Acreditamos que as ferramentas de videoconferência como o Zoom podem entregar uma experiência melhor que os encontros presenciais no futuro. Eu poderei apertar suas mãos. E, se falarmos línguas diferentes, com a AI, conseguiremos entender um ao outro", previu.

E foi além: uma pessoa poderá sentir o cheiro do café da outra, mesmo à distância. E quando isso tudo ocorreria? Em dez ou quinze anos, segundo o CEO. "Eu garanto a você", concluiu em um evento acompanhado por AMANHÃ em dezembro do ano passado.

O terceiro ponto apontado por Garrido foi o desenvolvimento, no âmbito das empresas, de uma capacidade de negociação para lidar em várias frentes – com instituições financeiras, fornecedores, clientes, funcionários e governos. "As empresas precisam estar preparadas para o inusitado, pois muitas coisas são emergentes, imprevisíveis. Não há como prever o futuro, mas há como se preparar para controlar suas consequências. Essa é a essência que deve permanecer", confia.

Alessandro Souza, coordenador dos cursos de publicidade e propaganda e jornalismo da ESPM em Porto Alegre, nota maior autonomia em equipes e maior casualidade em reuniões que antes eram mais formais. "Hoje enxergamos espaços pessoais dos nossos interlocutores, como suas casas", exemplifica.

O escritório levado para casa também influenciará no retorno às atividades corporativas. Kasper Rorsted, CEO da Adidas, mencionou em entrevista recente que a companhia já prevê maior utilização de roupas casuais quando os CEOs voltarem para suas sedes administrativas. "Outro aspecto que irá se impor é o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, principalmente em funções não fabris. Então haverá impactos nas relações humanas, em escolhas pessoais e nas roupas de trabalho", aposta Souza.

A avalanche digital também fez com que movimentos de fusões e aquisições se multiplicassem em pouco mais de um ano de pandemia. Como um movimento natural em qualquer crise global, os ativos tendem a se desvalorizar, o que pode garantir oportunidades para muitos segmentos. É o que diagnostica Juliana Hendges, diretora da Engaje Pesquisas. "Dentro desse movimento, vejo um número enorme de empresas aportando recursos em startups", afirma.

A Bauducco, por exemplo, recentemente investiu na One More. A bebida da startup, que não contém açúcares e é de baixa caloria, promete fornecer disposição e ajudar no foco e concentração, sem que cause agitação como os energéticos, já que não contém taurina. "É interessante observar as empresas buscando investimentos que fogem do óbvio para garantir a competitividade e a pluralidade que os tempos atuais pedem", avalia Juliana.Além, é claro, de agilidade – o nome do jogo hoje em dia.

Esse conteúdo integra o suplemento especial do Top of Mind RS do Grupo AMANHÃ que revelou quais são as marcas mais lembradas e amadas pelos consumidores gaúchos. Consolidado como uma espécie de Oscar das marcas, o Top of Mind, realizado desde 1991, é pioneiro no país. Clique aqui para acessar a publicação na versão digital.

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Segunda, 25 Outubro 2021

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