Trabalho, solidão e telas: o perfil (nem tão) feliz do Sul
Enquanto o brasileiro mantém a fama de ser feliz mesmo diante do caos, os moradores da região Sul têm uma percepção que destoa do resto do país. É o que mostra o Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, conduzido pela pesquisadora Renata Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. A pesquisadora explica que o comportamento da reflete uma visão mais racional. "O Sul traz uma visão mais crítica, mais realista da realidade brasileira, enquanto talvez a gente veja outras regiões romantizando um pouco", diz. "É quase que uma visão consciente de que não tá tudo bem."
Os dados apontam que o Sul é a região onde o trabalho menos contribui para o bem-estar: 31% dos trabalhadores afirmam que o emprego os deixa mais infelizes – índice quase o triplo do registrado no Centro-Oeste (11,2%). Além disso, 16% da população sulista não tem parentes ou amigos a quem recorrer em momentos difíceis, o segundo maior índice de isolamento social do país. Para Renata, o dado é preocupante. "Todos os estudos sobre saúde física e longevidade mostram que, no final, o grande fator de proteção e o maior preditor de bem-estar vêm das pessoas que a gente tem na nossa vida", afirma.
No trabalho, os principais fatores de infelicidade apontados pelos sulistas são sobrecarga, falta de reconhecimento e liderança ruim. Os principais fatores de infelicidade no trabalho apontados pelos sulistas são, nesta ordem: sobrecarga, falta de reconhecimento e liderança ruim. "Não adianta só ter o trabalho se, no final, minha liderança não me reconhece, se não me valoriza e se eu trabalho com essa sobrecarga", resume ela. A pesquisa também revela diferenças internas na região. No Paraná, a felicidade no trabalho tem o pior indicador. No Rio Grande do Sul, 18% das pessoas afirmam não ter com quem contar – um índice crítico de isolamento. Em Santa Catarina, registra-se a maior preocupação e ansiedade cotidiana, além de um sentimento de solidão.
Por outro lado, a região se destaca positivamente na relação com as redes sociais: há menos dependência, comparação e tristeza associadas ao consumo de telas. "O Sul sai muito melhor é a relação com as redes sociais. Menos dependência, menos comparação com as outras pessoas, menos tristeza a consumir as redes", afirma Renata. Enquanto jovens de outras regiões sofrem com o vício digital, os sulistas apresentam os melhores indicadores do país nesse quesito.
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