Não apague o passado

Respeito ao legado e estratégia caminham juntos para que o novo nome não seja apenas mudança, mas presença
A mudança do Twitter para X mostrou outro risco: rupturas abruptas esbarram em hábitos culturais, pois o nome antigo muitas vezes resiste no cotidiano

Trocar o nome de uma marca é mexer com memórias, hábitos e emoções acumuladas ao longo do tempo. Antes de decidir, é preciso definir se a mudança atinge a controladora ou a marca que dialoga diretamente com o consumidor. No caso de uma holding — como quando o Google criou a Alphabet — a interface com o usuário pode permanecer praticamente inalterada e a exigência de adesão pública é menor. Já um rebranding que mira a marca de consumo pede esforço muito maior. "Você está pedindo para o público reorganizar algo que levou anos, às vezes décadas, para se consolidar", alerta Juliana Hendges, diretora da Engaje Pesquisas. Quando o nome alterado é o da corporação e não o do produto, a comunicação pode ser mais segmentada, como mídia especializada, investidores e canais internos. "Isso não dispensa didatismo inicial para explicar os motivos, e depois implementar com naturalidade", aconselha André D'Angelo, professor e colunista da revista e Portal AMANHÃ. Esse caminho tende a ser mais suave do que uma mudança que exige que o consumidor troque um hábito linguístico e emocional.

Mas nem sempre a teoria encontra terreno fácil. A transição do Facebook para Meta, em 2021, ocorreu em meio a crises de crises de imagem e foi recebida com ceticismo por parte do público. A mudança do Twitter para X mostrou outro risco: rupturas abruptas esbarram em hábitos culturais, pois o nome antigo muitas vezes resiste no cotidiano. "A marca não pertence apenas à empresa, ela também pertence ao público. Quando um nome vira parte da linguagem, trocar isso exige tempo, narrativa e consistência", afirma Juliana. Há, no entanto, exemplos de transição bem-sucedida quando a estratégia respeita ritmo e legado. A Mastercard, ao longo de décadas, fortaleceu seu símbolo a ponto de dispensar o nome no logotipo sem perder reconhecimento. O aprendizado é direto: uma marca forte não se apaga, ela evolui. "Quanto mais sólido o legado, mais cuidadosa e gradual precisa ser a mudança", completa Juliana. Para marcas e profissionais de marketing, a recomendação é tratar o passado como ativo, construir uma narrativa crível e fazer a transição em camadas, com provas concretas na experiência do usuário. Só assim a nova marca tem chance de ser reconhecida — e, sobretudo, relevante para o consumidor.

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Quarta, 29 Abril 2026

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