Ibema: gigante do setor de papel-cartão celebra os 70 anos

A Ibema celebra uma trajetória marcada por coragem, inovação e pela força do empreendedorismo familiar
Fábrica da Ibema em Turvo, região Centro-Sul do Paraná, especializada na fabricação de papel-cartão a partir da fibra virgem

O case a seguir faz parte do livro "Paraná | Grandes Marcas — volume II", publicado pelo Instituto AMANHÃ.

Terceira maior fabricante de papel-cartão do Brasil e quarta de toda a América Latina, a Ibema Papelcartão completa 70 anos de existência em 2025. Fundada pelas famílias Gomes Napoli e Maia, a empresa nasceu de pequenos negócios familiares instalados no Paraná para se tornar um dos maiores players da indústria de papel no mundo, referência em inovação, sustentabilidade e governança corporativa.

A história da fundação da Ibema remete à das duas famílias fundadoras. A família Maia mantinha negócios no ramo madeireiro na região central do Paraná, em Faxinal da Boa Vista, atual distrito do município de Turvo. Em 1955, os Maia fundaram a Indústria de Madeiras Pouzinhos S/A, um empreendimento que marcaria o nascimento das atividades industriais do grupo que deu origem à Ibema – Indústria Brasileira de Madeiras.

Já a família Gomes Napoli, instalada nos Campos Gerais paranaenses, entrou para o ramo madeireiro no início dos anos 1960, quando adquiriu uma área florestal no então município de Catanduvas, região Oeste do estado. A operação atraiu um contingente tão grande de trabalhadores, conjugado à criação da infraestrutura necessária para a indústria madeireira, que o local se desenvolveu a ponto de se tornar distrito, em 1966, e emancipar-se em 1988, dando origem ao atual município de Ibema, a cerca de 60 quilômetros de Cascavel.

Na visão de Cristiana Napoli Madureira, presidente do conselho de administração da Ibema Participações (Ibemapar) e membro da terceira geração da família fundadora, "os fundadores eram homens extremamente trabalhadores, com um espírito de dedicação, desbravamento e suor. Eles tinham paixão pelo que construíam e uma preocupação genuína com o outro".

Assim, os negócios das famílias Gomes Napoli e Maia prosperaram nas diferentes regiões do Paraná até que elas firmaram sociedade, aproveitando laços de parentesco. Em 1975, os Gomes Napoli adquiriram a fábrica de papelcartão dos Maia, dando origem à estrutura societária que sustentaria o crescimento da Ibema nas décadas seguintes.

Trajetória da empresa levou à decisão estratégica pelo papel-cartão
Com a aceleração da urbanização do Brasil na segunda metade do século XX, a Ibema fez a transição das atividades ligadas puramente à extração da madeira para a produção de papel. Da década de 1960 em diante, o consumo de papel aumentava no Brasil e o controle das matérias-primas da cadeia produtiva colocava a Ibema em posição estratégica no setor.

O crescimento da empresa a levou a diversificar sensivelmente suas atividades econômicas. A gama de negócios chegou a reunir serrarias, fábrica de laminados, produção de papel, geração de energia, agricultura, logística, construção civil e cerâmica.

No final dos anos 1980, com a morte de um dos fundadores, René Gomes Napoli, houve a primeira cisão entre os familiares administradores da Ibema, com os descendentes de René deixando a sociedade em troca de ativos. Esse movimento aconteceu simultaneamente a um momento em que o crescimento acelerado dos negócios vinha se tornando insustentável. Diante disso, a Ibema caminhou para uma nova organização de governança, com os familiares se afastando da gestão da empresa e dando lugar a executivos do mercado.

Assim, sob a orientação de profissionais experientes e sem vínculos familiares, a Ibema decidiu concentrar seus esforços na fabricação de papel-cartão, variedade de papel mais espessa e adequada para a produção de embalagens. A decisão se provou estratégica pois, além de encontrar consonância com a experiência da Ibema com madeira, aproveitava a versatilidade do produto e sua aplicação em diversos setores da economia, antecipando um movimento global por alternativas de embalagens ambientalmente corretas.

Unidade fabril da Ibema em Embu das Artes (SP) é especializada na produção a partir de fibras recicladas

Decisão ousada quase custou a continuidade dos negócios
Em 2002, o corpo executivo que dirigia a Ibema tomou uma decisão bastante ousada que, ao mesmo tempo que catapultou a companhia a um novo patamar, imobilizou sua capacidade de investimentos de forma a quase custar a continuidade dos negócios. A Ibema empenhou uma quantia equivalente a R$ 320 milhões em valores corrigidos na aquisição de uma nova e mais moderna máquina de fabricação de papel, chamada internamente de "Máquina 3".

A Máquina 3 produzia quase quatro vezes mais papel do que o equipamento mais antigo. O investimento que projetou a Ibema para um novo patamar de competitividade, porém, tornou-se seu maior desafio de gestão: o que deveria ser um projeto de crescimento se mostrou uma âncora financeira que quase afundou o negócio.

Para Fábio Napoli Martins, atual conselheiro de administração da Ibema e também membro da terceira geração da família fundadora, a história da Máquina 3 moldou a filosofia de investimentos da Ibema dali em diante. A principal lição, segundo ele, foi a importância da execução impecável, considerando os aspectos financeiros, operacionais e de timing.

Diante da alta alavancagem em que se encontrava a companhia naquele momento, os acionistas cogitaram vendê-la integralmente. Até que surgiu a possibilidade de uma parceria que mudou a história da organização. Em 2016, a Suzano, gigante do setor, apresentou uma proposta de aquisição de 49,9% da Ibema, o que recuperaria a credibilidade financeira da empresa paranaense e a reposicionaria no mercado de fabricação de papel-cartão.

"A Suzano trouxe governança, controle e uma maneira muito profissionalizada de trabalhar", afirma Nilton Saraiva, atual CEO da Ibema. "Essa junção da família, da coragem, do desafio e da governança da Suzano foi sensacional para criar uma empresa diferente. Ela não é a Ibema do passado, mas também não é a Suzano", completa.

A parceria fez com que a Ibema assumisse o controle da operação de uma fábrica de papel-cartão da Suzano em Embu das Artes (SP), especializada na produção de papel a partir de insumos recicláveis. O direcionamento estratégico para a economia circular posicionou a empresa para o lançamento do Ritagli, primeiro papel-cartão triplex com 55% da mistura composta por fibras recicladas, 35% vindas de pós-consumo.

"Assumimos o compromisso de ser referência em práticas sustentáveis no setor. Essa visão se apoia no tripé de serviço, produto e sustentabilidade, que equilibra resultados econômicos com responsabilidade socioambiental", afirma Saraiva. Com vistas à verticalização de processos, a companhia também investe em áreas florestais próprias. "A ideia é dar continuidade ao que a primeira geração almejava: empreender, investir e crescer", conclui Cristiana Napoli.

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Segunda, 06 Abril 2026

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