Brasil é o único país da América Latina com novas usinas de carvão propostas

Para o Global Energy Monitor, país deveria cancelar novos projetos
"Embora funcionários do governo nos estados produtores de carvão, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, continuem a apoiar o novo desenvolvimento de carvão, todas as usinas a carvão atualmente propostas no Brasil permanecem paralisadas devido à concorrência de fontes alternativas mais limpas, bem como pela falta de financiamento", ressalta o documento

O desenvolvimento de novas usinas de carvão na América Latina desacelerou nos últimos anos, deixando apenas o Brasil com capacidade de carvão na fase de pré-construção, de acordo com a nona pesquisa anual do Global Energy Monitor sobre o número global de usinas de carvão. No final de 2022, a região possuía apenas 1,8 gigawatts (GW) de energia a carvão nas fases de pré-licenciamento, licenciamento ou construção, uma redução de 82% em relação aos 10,1 GW que estavam em desenvolvimento em 2015. "Embora funcionários do governo nos estados produtores de carvão, como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, continuem a apoiar o novo desenvolvimento de carvão, todas as usinas a carvão atualmente propostas no Brasil permanecem paralisadas devido à concorrência de fontes alternativas mais limpas, bem como pela falta de financiamento", ressalta o documento.

O relatório conclui que as desativações globais da capacidade de geração a carvão atingiram 26 gigawatts (GW) em 2022, e outros 25 GW receberam uma data anunciada de fechamento para 2030. A quantidade de capacidade a carvão planejada nos países em desenvolvimento, excluindo a China, caiu 23 GW. No entanto, a capacidade planejada da China aumentou em 126 GW, compensando em muito as reduções no resto do mundo. Para permanecer no caminho certo, todas as usinas a carvão existentes devem ser desativadas até 2030 nos países mais ricos do mundo e até 2040 nos demais países, e não há espaço para novas usinas a carvão entrarem em operação. Embora a capacidade de energia a carvão recém-proposta tenha diminuído significativamente, o mundo não está aposentando as usinas a carvão existentes com rapidez suficiente.

A eliminação gradual da energia a carvão operacional até 2040 exigiria uma média de 117 GW de desativações por ano, ou quatro vezes e meia a capacidade desativada no ano passado. Uma média de 60 GW deve ficar offline nos países da OCDE a cada ano para cumprir o prazo de eliminação do carvão de 2030 e, para países não pertencentes à OCDE, 91 GW a cada ano para o prazo de 2040. A contabilização de usinas a carvão em construção e em consideração (537 GW) exigiria cortes ainda mais acentuados. "Quanto mais novos projetos de carvão entrarem em operação, mais acentuados serão os cortes e encargos no futuro", disse Flora Champenois, principal autora do relatório e gerente de projetos do Rastreador Global de Usinas a Carvão do Global Energy Monitor. "Nesse ritmo, a transição do carvão para fontes de energia mais limpas não está acontecendo com rapidez suficiente para evitar o caos climático. O IPCC e a ONU renovaram o protocolo para diminuir a energia do carvão globalmente, o que pode ser nossa última chance de evitar o pior dos danos de um planeta em aquecimento".

"O Brasil tem a oportunidade de mostrar liderança na luta contra as mudanças climáticas ao cancelar o desenvolvimento de novas usinas a carvão. O impacto de tal decisão seria especialmente notável dado que o carvão brasileiro é ainda mais ineficiente e poluente do que carvões de outras regiões do mundo", disse Gregor Clark, gerente do Portal Energético para a América Latina do Global Energy Monitor. "Ao deixar definitivamente o carvão para trás e seguir aproveitando os abundantes recursos eólicos e solares nacionais, o Brasil pode reforçar sua reputação como campeão regional de energia limpa".

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Segunda, 22 Abril 2024

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