Cadeiras vazias em 2035?
A conversa sobre quem vai assumir os postos-chave das empresas deixou o planejamento estratégico e entrou na operação diária. Pesquisa da consultoria Robert Half revela que 78% dos gestores estão preocupados em identificar sucessores capazes de sustentar as operações até 2035. "O impacto aparece quando a companhia precisa se mover e não consegue. Sem uma liderança realmente preparada, é comum que as decisões travem e, em alguns casos, que projetos relevantes fiquem em espera", afirma Mário Custódio, diretor de recrutamento executivo da Robert Half.
Na prática, a ausência de sucessores preparados provoca um efeito em cadeia em que decisões se concentram, agendas estratégicas desaceleram e a capacidade de reação da companhia é reduzida. Por isso, o planejamento de sucessão vem sendo revisto com mais frequência e com menor margem para improviso.
Como resposta, a maioria das empresas adota uma combinação de formação interna e contratação externa. Entre empresas de capital aberto, 56% recorrem a ambos; 36% privilegiam somente talentos internos. Nas companhias privadas, metade usam essa combinação e 30% apostam apenas na formação interna. Também aumentou a formalidade com estruturas de sucessão, investimentos em desenvolvimento de liderança e uso de tecnologia para avaliar potencial.
A mudança de perfil das posições críticas é outro ponto ressaltado pelo estudo. Vagas ligadas a tecnologia, dados e transformação exigem preparação transversal, menos linear. Na ponta dos treinamentos, aparecem IA (72% em empresas abertas), gestão de conflitos e crises (68% em empresas privadas). Executivos relatam a adoção de práticas mistas para não paralisar operações, contratando líderes do mercado por prazo determinado enquanto desenvolvem a próxima geração internamente.
Dessa forma, sucessão deixou de ser apenas um plano no papel e passou a ser tratada como um ativo a ser renovado continuamente, com impacto direto na capacidade de execução e na resiliência organizacional. A pesquisa ouviu 100 executivos brasileiros, incluindo conselhos, alta e média gestão, sobre os rumos da liderança empresarial na próxima década.
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