Sul é uma das regiões mais favoráveis à ascensão social, mostra Atlas da Mobilidade Social

População do Sul tem 18,4% de chance de, quando adulta, estar entre os 25% mais ricos do país

As maiores probabilidades de mobilidade concentram-se nas regiões Sul, Sudeste e em partes do Centro-Oeste. Já grande parte do Norte e do Nordeste apresenta as menores taxas de mobilidade, revelando territórios onde a pobreza tende a ser mais persistente entre gerações. As conclusões são do Atlas da Mobilidade Social, divulgado nesta sexta-feira (31). O Atlas é uma plataforma pública desenvolvida pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), em parceria com o grupo de pesquisa Prospera Lab.

A população do Sul tem a maior chance de, quando adulta, estar entre os 25% mais ricos do país (18,4%). Já com relação à chance de estar entre os 10% mais ricos, a probabilidade cai para 2,7%. Ainda assim, o Sul fica atrás apenas do Centro-Oeste,  onde a chance é de 2,9%.

Os contrastes entre os municípios brasileiros ilustram a magnitude das desigualdades de oportunidades. Em Ponte Serrada (SC), apenas 2,1% dos jovens permanecem nesse estrato de renda, evidenciando um ambiente muito mais favorável à ascensão socioeconômica. Já em Assis Brasil (AC), 84,4% dos jovens oriundos de famílias que pertenciam aos 25% mais pobres permanecem nesse mesmo grupo de renda quando adultos, um dos piores resultados do país.

Entre os indicadores socioeconômicos incorporados ao Atlas, a educação apareceu como a dimensão mais associada à mobilidade social. Municípios com melhores indicadores educacionais, como maior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e menor distorção idade-série, tendem a apresentar maiores chances de mobilidade ascendente.

"A mobilidade social depende da capacidade de reduzir as desigualdades de origem. O Atlas mostra que políticas educacionais são fundamentais, mas precisam ser acompanhadas de estratégias econômicas capazes de ampliar oportunidades ao longo da vida. Nosso objetivo é oferecer evidências que ajudem gestores públicos a desenhar políticas mais eficazes para promover a ascensão social", destacou o presidente do Imds, Paulo Tafner.

Gênero, raça e origem familiar são os principais condicionantes
De acordo com o levantamento, entre jovens brancos que nasceram em famílias situadas entre os 25% mais pobres da distribuição de renda, 36,3% permanecem nesse mesmo grupo quando adultos. Entre os não brancos, essa probabilidade sobe para 51,6%, indicando que a questão racial é ainda mais determinante para esse grupo.

Segundo os dados do Atlas, o gênero também altera significativamente as possibilidades de mobilidade social. Entre os filhos de pais que estavam entre os 25% mais pobres da população, cerca de um terço dos homens (32,9%) permanece nesse mesmo estrato de renda na vida adulta. Entre as mulheres, a proporção chega a 65,1%. Essa disparidade aparece também no recorte racial: enquanto 69% das mulheres não brancas continuam entre os 25% mais pobres quando adultas, entre as mulheres brancas esse percentual é menor, de 52,9%.

Com ABR

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Sexta, 31 Julho 2026

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