Prática transforma resíduos da suinocultura em energia para a indústria
Os dejetos da suinocultura, por décadas tratados como passivo ambiental, passam a integrar uma nova cadeia de valor em Santa Catarina. Com a assinatura do primeiro contrato de fornecimento de biometano do estado, que ocorreu na quarta-feira (15) na Fiesc, resíduos da produção animal passam a ser transformados em combustível renovável para abastecer a indústria, inaugurando um mercado que une agronegócio, energia e descarbonização.
O projeto conecta quatro elos da cadeia: a H2A produz o biometano em Campos Novos a partir dos dejetos da suinocultura; a SCGÁS distribui o combustível por sua rede de gás canalizado; a Vossko do Brasil, em Lages, torna-se a primeira indústria a utilizar o energético; e a Agência de Regulação de Serviços Públicos de Santa Catarina (Aresc) estabelece o marco regulatório que viabilizou a operação. A iniciativa inédita é resultado de uma articulação construída nos últimos anos entre empresas, setor produtivo, universidades e poder público, tendo como um dos articuladores o Hub de Descarbonização da Fiesc, criado em 2023 para acelerar a transição da indústria catarinense para uma economia de baixo carbono.
"O que buscamos foi viabilizar a economia circular por meio da tecnologia. Santa Catarina possui enorme potencial para transformar resíduos em energia e criar uma nova cadeia produtiva baseada na descarbonização", afirmou o presidente do conselho de meio ambiente e sustentabilidade da Fiesc, José Lourival Magri. Segundo ele, Santa Catarina possui potencial para ampliar significativamente a produção de biogás e biometano. Estima-se uma capacidade de dobrar a atual produção de 2 milhões de metros cúbicos de biogás por dia, recurso ainda subaprovechado. Para apoiar essa transformação, o SENAI estruturou uma frente tecnológica voltada ao setor, o Instituto Senai de Tecnologia Ambiental, em Blumenau, que oferece análises e controle de qualidade do biometano.
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