Rio Grande do Sul consolida estratégia para fortalecer a indústria de semicondutores
Em um movimento que marca a maturidade de duas décadas de acúmulo de conhecimento no setor de eletrônica e tecnologia, o Rio Grande do Sul posiciona-se como um eixo estratégico para a indústria de semicondutores na América Latina e Caribe. Com a realização do SemiCon-LAC 2026, entre 17 e 19 de junho, no Tecnopuc, o estado busca ultrapassar o campo acadêmico, focando em resultados concretos, geração de negócios e soberania tecnológica.
Para Adão Villaverde, professor, assessor da superintendência de inovação da PUC RS e chair do SemiCon-LAC, o simpósio reflete uma mudança de paradigma. "Não é um evento acadêmico, é um evento de sociedade; o negócio é business", enfatiza. Villaverde destaca que o Rio Grande do Sul já é um benchmark reconhecido internacionalmente em duas pontas críticas da cadeia: o design e o encapsulamento. Além disso, o estado tem identificado nichos de mercado altamente promissores. O professor aponta que o foco não precisa ser apenas na tecnologia de ponta (nanometrias ultra-reduzidas), mas também nos chamados legacy chips (chips maduros), que possuem alta demanda e eficiência comprovada em diversos setores da economia contemporânea. "Não precisamos mergulhar no domínio completo da cadeia em um estágio inicial, mas temos capacidade instalada e expertise para atuar com altíssima eficiência", defende.
O programa Semicondutores RS é o alicerce dessa iniciativa, com um investimento previsto de R$ 70 milhões até o final de 2026, distribuídos em ações de fomento, qualificação profissional e atração de empresas. O programa, coordenado pela Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict) foi estruturado em janeiro de 2023 com o objetivo de criar um ambiente de segurança para investidores baseado em três pilares principais: formação de talentos, produção de conhecimento, pesquisa e desenvolvimento, e o fortalecimento das empresas e negócios no setor. "Nós não podemos correr o risco de ficar para trás, então temos que nos posicionar com as ferramentas que temos", explica Simone Stülp, ex-secretária estadual e decana associada da Escola Politécnica da PUC RS.
O sucesso dessa estratégia passa pela capacidade de conectar o Rio Grande do Sul aos grandes players mundiais. Rafael Prikladnicki, presidente da InvestRS, ressalta que o Estado tem feito um trabalho contínuo de trazer o mundo para o Rio Grande do Sul. "Temos condições de mostrar as oportunidades in loco, o diferencial nosso reside na combinação entre políticas públicas orientadas, mão de obra qualificada e um ambiente de negócios articulado, queremos conectar pessoas que vão sair daqui dizendo: 'quero fazer negócio no Rio Grande do Sul'", completa.
A infraestrutura oferecida, que inclui a força dos parques tecnológicos e a integração com universidades como UFRGS, PUCRS, Unisinos e Unipampa, cria o cenário ideal para a instalação de novas empresas. O objetivo é transformar a visibilidade internacional em ações de longo prazo, garantindo que o estado não apenas forme talentos, mas que possua demanda industrial suficiente para retê-los e gerar valor econômico sustentável. Os porta-vozes enfatizaram que esses fatores combinados podem tornar o Rio Grande do Sul um hub emergente na indústria de semicondutores, setor estratégico que hoje ocupa posição equivalente à do petróleo no século XX.
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