"Nossa primeira, segunda e terceira opção é fazer o projeto no RS", diz diretor-geral da CMPC

Antonio Lacerda espera que o licenciamento ambiental do Projeto Natureza seja concluído até agosto
"Nós temos uma janela de oportunidade para fazer esse investimento", alertou Lacerda
Enquanto aguarda o processo de licenciamento ambiental da nova fábrica da CMPC, o diretor-geral da companhia no Brasil, Antonio Lacerda, diz que a empresa não tem plano B caso a liberação não aconteça — negando os rumores de que a fábrica possa ser construída no Paraguai. "Nossa primeira, segunda e terceira opção é fazer o projeto no Rio Grande do Sul", anunciou nesta quarta-feira (24), durante a edição do Tá na Mesa, tradicional reunião-almoço promovida pela Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul).

A CMPC já investiu cerca de U$ 400 milhões na construção da fábrica, que terá capacidade para produzir 2,5 toneladas anuais de celulose. "Nós temos uma janela de oportunidade para fazer esse investimento. O mercado de celulose cresce aproximadamente um milhão e meio de toneladas ao ano", explica Lacerda. "Se não aprovarmos o projeto e até o início do ano que vem, outra empresa entra nessa janela e aí não tem mais espaço no mercado para nós", lamenta. 

O Projeto Natureza é o maior investimento privado da história do Rio Grande do Sul, estimado em cerca de R$ 27 bilhões, e prevê a construção de uma nova fábrica de celulose da CMPC no município de Barra do Ribeiro. O Ministério Público Federal (MPF) recomendou a suspensão dos trâmites devido à necessidade de consulta a comunidades tradicionais potencialmente impactadas pelo empreendimento. Em uma ação civil pública o MPF debate a necessidade de realização da Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) junto a comunidades indígenas, quilombolas e pescadores.

A decisão afeta também outro investimento da CMPC no estado. O Terminal de Uso Privado (TUP) da CMPC no Porto do Rio Grande, em parceria com a Neltume Ports, obteve a licença ambiental prévia na última semana e prevê um investimento de R$ 1,5 bilhão. No entanto, caso a planta de celulose seja inviabilizada, o projeto também será redimensionado. Enquanto a empresa aguarda a solução do impasse jurídico, a obra segue em andamento, e tem operação prevista para 2029. Segundo a CMPC, caso o impasse seja solucionado, a estimativa é concluir a construção em aproximadamente 30 meses, e que a ação movida pelo MPF deve atrasar o projeto em cerca de quatro meses.

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Quarta, 24 Junho 2026

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