O que esperar da economia da China em 2023?

O governo está ousando realizar três revoluções ao mesmo tempo
Até o final da década de 2030, e até pelo menos 2075, a China será a maior economia mundial também pela paridade cambial

Assustam as análises da mídia internacional sobre o que poderá ocorrer na China, a partir da desvalorização do yuan, a inadimplência recente de duas megaempresas do setor imobiliário, mais todos os "absurdos" que foram feitos no país, em financiamentos e investimentos em infraestrutura, na época (2008) da grande crise financeira dos Estados Unidos (EUA), que rapidamente se espalhou pelo mundo. Aí complementam com a informação que o PIB chinês deverá crescer menos do que o anunciado, que o PIB da Índia será maior e que o desemprego na China deverá aumentar.

Segundo país do mundo em quantidade de milionários e bilionários, a China tem também a segunda maior quantidade mundial de empresas com maior faturamento. De acordo com o Global Wealth Report 2022, publicação do Credit Suisse, a China passará de 6,2 milhões de milionários para 12,2 milhões, de 2021 para 2026 (+97%). Os 745 bilionários da China concentravam US$ 3,3 trilhões em 2021 – superados pelos US$ 4,4 trilhões dos 724 bilionários dos EUA, de acordo com a Revista Forbes. Com o aumento constante do poder aquisitivo da sua população, a China constitui-se hoje no maior mercado consumidor do mundo, segundo estudo da consultoria McKinsey. O Produto Interno Bruto (PIB) pela Paridade do Poder de Compra (PPP) atingiu US$ 24,3 trilhões equivalentes a 18,3% do PIB mundial, e a renda per capita na China em 2022 foi de US$ 21,5 mil, bem acima da renda do Brasil (US$ 17,8 mil) e da Índia (US$ 8,4 mil).

Todos esses fatores justificam o enorme receio com o que poderá acontecer com a economia chinesa até o final de 2023. Até porque o enorme poder de influência da mídia e dos agentes do setor financeiro norte-americano podem causar "estouro da boiada", fazendo com que realmente aconteça o que agora estão prevendo. Aliás, foi justamente por sempre haver esse risco que o governo dos EUA garantiu os depósitos dos correntistas dos quatro bancos que faliram lá entre março e maio de 2023: Silicon Valley, Signature, Silvergate e o First Republic.

No entanto, o mais provável é que o governo central chinês continue no comando do processo, agindo através das estruturas do Estado para manter a economia crescendo, conforme definido no 14º Plano Quinquenal (2021-2025), aprovado em março de 2021, e referendado no 20º Congresso do Partido Comunista (outubro de 2022), e na Assembleia Nacional, durante o Congresso Nacional do Povo, em março de 2023. A resiliência da Economia da China tem a ver com a garantia de execução do planejado, graças a essa "amarração política" nacional, e do que ainda está sendo planejado, para os cinco anos seguintes.

Até o final da década de 2030, e até pelo menos 2075, a China será a maior economia mundial também pela paridade cambial. Os dois maiores projetos estruturantes da China, o "Cinturão e Rota" e o de Ciência, Tecnologia e Inovação, têm 2050 como horizonte e o espaço sideral como limite. Outro projeto fundamental, o da modernização da agricultura, de 2018, que começou acabando com a pobreza extrema nas áreas rurais, visa garantir segurança e soberania alimentar para a população chinesa, garantindo todos os anos mais de 600 milhões de toneladas de grãos, 150 milhões de toneladas de pescado e carnes, 40 milhões de toneladas de leite de vaca e quantidades também milionárias de frutas e hortaliças.

Tendo tais esteios, o governo chinês está ousando realizar três revoluções ao mesmo tempo, o que explica a turbulência e a gritaria, principalmente dos EUA: 1) substituir a "moeda do mundo" (dólar) pela moeda chinesa (yuan) – por enquanto em transações comerciais e financeiras com alguns países, e em breve com todos com os quais realiza negócios, impactando assim 20% da economia mundial e diretamente o lucro histórico dos EUA com o dólar triangulando o yuan e outras moedas; 2) substituir o "made in China" pelo "made by China", com impactos significativos nas empresas estrangeiras instaladas na China; e 3) estabelecer efetiva conectividade mundial, com investimentos em infraestrutura de transporte em países pobres da Ásia e África, que lhes permitirá dinamizar muito a sua economia.

Enquanto isso, aqui no Brasil vamos chegando aos 50 anos de relações diplomáticas com a China, nos quais a segunda metade do período caracterizou-se por enorme salto em todas as áreas, com destaque para a balança comercial (de US$ 2 bilhões para US$ 150 bilhões) e o total de US$ 70 bilhões de investimentos. Apesar de saberem disso, e da China comprar do Brasil menos de 2% de tudo o que compra do mundo, muitas empresas brasileiras ainda relutam em investir para vender para o mercado chinês – para onde menos de três mil empresas exportam. A participação brasileira na Feira de Importações da China, em Shanghai, de 5 a 10 de novembro de 2023, será um indicador importante da disposição das indústrias e empresas agropecuárias e comerciais enfrentarem a concorrência internacional e as previsões catastróficas para ingressar no mercado chinês, decisão estratégica de olho em 2030/2040.

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Segunda, 26 Fevereiro 2024

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