Produção da indústria gaúcha cai pelo terceiro mês consecutivo

Levantamento indica recuo na atividade e no emprego em janeiro, acumulando oito meses de queda

O índice produção da indústria gaúcha registrou queda pelo terceiro mês consecutivo em janeiro, ao atingir 46,7 pontos. É o que mostra a pesquisa Sondagem Industrial do RS, divulgada na quinta-feira (26) pelo Sistema Fiergs. O emprego industrial também recuou, acumulando a oitava retração seguida, com o índice em 47,3 pontos. A pesquisa foi realizada entre 2 e 12 de fevereiro de 2026, período em que ainda estavam em vigor as tarifas impostas pelos Estados Unidos. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos, em 20 de fevereiro de 2026, de derrubar parte dessas medidas pode influenciar as expectativas e as intenções de investimento dos industriais para os próximos seis meses.

Segundo o presidente do Sistema Fiergs, Claudio Bier, o desempenho reflete um ambiente de juros elevados e incertezas nos cenários interno e externo. "Os resultados mostram que começamos 2026 sem uma melhora efetiva para as indústrias. Precisamos dar condições mais favoráveis para geração de renda, emprego e para que haja mais investimentos no setor", afirmou. Ainda de acordo com a pesquisa, a utilização da capacidade instalada ficou em 65% em janeiro, abaixo dos níveis observados desde janeiro de 2025, embora levemente superior ao registrado em dezembro (64%). Já o mesmo índice em relação ao usual para janeiro avançou 2,5 pontos, alcançando 40,8. Apesar da alta mensal, o índice segue abaixo de 50 pontos, indicando que a a capacidade instalada permanece inferior ao nível habitual para o período.

O índice de evolução dos estoques de produtos finais permaneceu estável em janeiro de 2026, repetindo os 50,1 pontos de dezembro. Já o índice de estoques em relação ao planejado recuou de 54,2 para 52,9 pontos, indicando que os estoques continuam acima do previsto. Em fevereiro, as expectativas para demanda, emprego e compras de matérias-primas, indicadores da pesquisa, seguiram em campo otimista, com os três índices acima dos 50 pontos. Em sentido contrário, as expectativas de exportações permanecem em território pessimista desde agosto de 2025, quando passaram a vigorar tarifas impostas pelos Estados Unidos. Na comparação com janeiro, houve avanço no indicador de demanda, que passou de 52,2 para 52,6 pontos, e no de emprego, que subiu de 50 para 50,9 pontos. Já os índices de compras e exportações registraram leve recuo de 0,1 ponto: o primeiro passou de 53,2 para 53,1 pontos, enquanto o segundo caiu de 47,2 para 47,1 pontos.

O índice de intenção de investir iniciou fevereiro de 2026 com redução de 0,6 ponto, alcançando 53 pontos. Apesar da queda, o resultado permanece acima da média da série histórica de 52,1 pontos. No mês, 54,6% dos empresários industriais afirmaram que pretendem realizar investimentos nos próximos seis meses.

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Sexta, 27 Fevereiro 2026

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