PIB deve crescer 2% em 2026, projeta CNI
Indústria extrativa deve puxar setor industrial novamente
Menos sensível aos juros elevados, o setor continua exibindo aumento da produção, impulso que deve se ampliar com a elevação do preço do barril de petróleo devido à guerra no Oriente Médio. Por isso, a CNI reviu de 1,1% para 7,8% a projeção de alta do segmento. Por outro lado, o cenário deve continuar adverso para a indústria de transformação, projeta o documento. Internamente, os custos financeiros causados pelos juros se somam à queda da demanda por bens industriais, à alta das importações, ao encarecimento da mão de obra e ao aumento da carga tributária. No cenário externo, a instabilidade no preço do petróleo pode trazer impacto ao setor de transportes e energia. Com isso, a indústria de transformação deve crescer 0,3% e não mais 0,5% este ano.
O recorde no lançamento e venda de unidades residenciais no fim do ano passado e o anúncio de políticas de estímulo ao setor, como a concessão de crédito para reformas de moradias de famílias de baixa renda, devem impulsionar a indústria da construção em 2026. O setor, no entanto, seguirá penalizado pelas elevadas taxas de juros e, por isso, teve a projeção de crescimento diminuída de 2,5% para 1,3%.
Segundo a análise da CNI, o consumo das famílias deve subir 2% em 2026, uma alta de 0,7 ponto percentual frente ao ritmo de crescimento do ano passado. O impulso fiscal, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o crescimento da massa salarial devem impulsionar esse avanço. Já os investimentos devem subir 0,6%, ante alta de 2,9% em 2025, refletindo o impacto dos juros elevados e o endividamento das empresas.
Mercado de trabalho seguirá aquecido e juros devem cair em ritmo mais lento
Projeta-se alta de 1% da população ocupada, o que levaria a taxa de desemprego a 5,2% no fim de 2026. A baixa desocupação, por sua vez, continuará sustentando ganhos reais de rendimento aos trabalhadores. Por isso, a expectativa é que a massa de rendimento real suba 4,7%. O estímulo fiscal à economia deve ser maior este ano devido ao aumento dos gastos do governo, em especial por meio das transferências de renda, como previdência, Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC). A expectativa é que as despesas federais cresçam 4,4% acima da inflação, ante alta de 3,4% em 2025.
Impulsionada pela reoneração da folha de pagamentos, pelo crescimento da massa de rendimentos e pela alta do preço do barril do petróleo — que aumenta a receita relacionada à exploração de recursos naturais pelo governo — a arrecadação federal também deve subir. A CNI espera crescimento real de 5,4% em 2026. Ainda assim, o governo federal deve fechar o ano com déficit de R$ 61,3 bilhões (0,5% do PIB). Sem levar em conta os gastos retirados do cálculo da meta fiscal, projeta-se superávit de R$ 2 bilhões (0% do PIB). Os sucessivos déficits e o alto patamar dos juros devem fazer o endividamento público saltar para 82,2% do PIB, ante 78,6% em 2025.
Exportações sobem e importações caem
Uma combinação de fatores, como a alta no preço das commodities, a melhora do acesso ao mercado norte-americano — após queda de parte das tarifas de importação —, e a recuperação da demanda argentina, importante parceiro comercial do Brasil, devem levar a um crescimento de 1,1% no valor das exportações, para US$ 354,3 bilhões. Já as importações tendem a cair, refletindo a perda de dinamismo da atividade industrial interna. A CNI projeta queda de 3,2% nas importações, totalizando US$ 281,5 bilhões. Com isso, a balança comercial brasileira deve registrar saldo positivo de US$ 72,8 bilhões.
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