Além do diploma: adaptabilidade e aprendizado profundo são essenciais para o futuro do trabalho

Educação para o mercado de trabalho foi tema central de fórum no Instituto Caldeira
Mais de 500 lideranças, educadores, organizações e jovens se reuniram no hub de inovação para debater o futuro da educação e do trabalho

Nos dias 12 e 13 Porto Alegre recebeu a primeira edição do EduCA, iniciativa do Instituto Caldeira em parceria com a Fundação Itaú e a Fundação Telefônica Vivo para aproximar educação e mercado de trabalho com foco nas novas gerações. Mais de 500 lideranças, educadores, organizações e jovens se reuniram no hub de inovação para debater o futuro da educação e do trabalho, buscando compartilhar soluções práticas para formação de talentos, empregabilidade e inclusão produtiva.

Um dos painéis do evento, "A visão dos CEOs sobre as habilidades que movem o ponteiro", lavou ao palco três executivos: Aline Eggers (CEO da Fruki Bebidas), Júlio Mottin Neto (CEO do Grupo Panvel) e Pedro Valério (CEO do Instituto Caldeira). Em comum, a percepção de que o mundo mudou mais rápido do que a sala de aula e que as empresas buscam, agora, muito mais do que currículos cheios.

Para Aline Eggers, o cenário volátil, marcado recentemente por pandemia, enchente no Rio Grande do Sul e guerras, exige adaptabilidade. "Hoje em dia precisamos ter uma habilidade enorme de nos adaptar. E a capacidade de se manter emocionalmente estável e seguro", afirmou. A executiva foi enfática ao criticar o comodismo: Não podemos pensar que tudo o que fizemos e deu certo poderemos continuar repetindo". Em seu receituário, entram a curiosidade, a vontade de aprender e, sobretudo, a escuta ativa e o trabalho em equipe.

Júlio Mottin Neto trouxe uma perspectiva geracional. Ele lembrou que, no passado, o que diferenciava profissionais era o acesso ao conteúdo – uma barreira que a internet praticamente dissolveu. "O que muda hoje não é o indivíduo que sabe ou que tem as respostas, mas o que ele faz com aquilo. E é isso que as empresas estão buscando", declarou. Segundo o CEO da Panvel, o que realmente faz um profissional crescer é a vontade de trabalhar, de aprender, de colaborar.

Pedro Valério, à frente do Instituto Caldeira, foi direto ao listar o que o hub de inovação procura em novos talentos: obsessão ligada à vontade e à curiosidade. Mas foi incisivo ao citar a capacidade de execução. "Ganha quem faz. Quem coloca em prática rapidamente. Em um contexto em que a tecnologia está cada vez mais comoditizada, a capacidade de tentar e executar é muito relevante", relatou. Em segundo plano, descreveu a "habilidade da imaginação". Ele defendeu o que chama de acúmulo de repertórios em diferentes territórios do conhecimento — tema que foi eixo de outro painel.

Lifewide learning: ampliando as fronteiras do aprender
Aprender acontece em muitos lugares. O aprendizado é um processo dinâmico, multifacetado, intrinsecamente humano e social, que ocorre continuamente em todos os aspectos da vida. Além disso, a intencionalidade, a conexão e o afeto são elementos cruciais para um desenvolvimento integral e significativo.

O painel "lifewide learning — conversas sobre diversas formas de aprender",  explorou o conceito de "Life-Wide Learning" (aprendizado abrangente na vida), uma expansão do "Life-Long Learning" (aprendizado ao longo da vida). Enquanto o aprendizado ao longo da vida se refere à continuidade temporal, o Life-Wide Learning engloba o aprendizado em diversos espaços e contextos – em casa, com amigos, na comunidade, e em todas as esferas da existência, não apenas em ambientes formais. 

A discussão central girou em torno de "o que é aprender" e como isso transcende a educação tradicional e focada no trabalho, promovendo a felicidade e o desenvolvimento humano integral. O Idealizador do projeto ReAprendiz, Luis Sérgio, defende que aprender é como respirar: algo que acontece automaticamente, mas a intencionalidade é o "tempero" que potencializa o processo.

O cofundador da GoFw, Anderson Penha, compartilhou sua vivência no Projeto Casa Sete. Ele e um parceiro transformaram uma casa abandonada no ABC Paulista em um centro cultural, questionando: "Pode uma casa mudar uma rua?". A Casa Sete se tornou um espaço de trocas artísticas e criativas. Ele enfatiza que favelas e ruas também produzem epistemologias (formas de conhecimento), desafiando a ideia de que só universidades as produzem, e destacou importância de quem tem acesso ao conhecimento retorne e compartilhe com a comunidade.

O PhD em psicologia, Luciano Meira, critica a psicologia por "cerebralizar" o aprendizado, tornando-o individualizado e focado apenas no cérebro. Ele propõe uma visão mais ampla, onde o aprendizado é uma forma de participação social, de dar significado às coisas, e de capturar discursos e modos de fazer de uma comunidade

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Segunda, 15 Junho 2026

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