Copom reduz a taxa Selic para 14% ao ano
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou nesta quarta-feira (5) a redução em 0,25 ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, para 14% ao ano. A decisão veio em linha com a expectativa do mercado financeiro. A reunião ocorre após o mercado financeiro ter reduzido de 14% para 13,75% as expectativas da Selic para este ano, como mostrou o Boletim Focus divulgado na segunda-feira (3). Esta foi a primeira vez, desde março, que o mercado revê para baixo as expectativas para a taxa básica de juros.
Para os membros do colegiado, o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas. "Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", destaca o comunicado emitido pelo Copom.
"Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião sugere uma moderação gradual da atividade econômica, embora ainda em patamar resiliente, com sinais mistos entre setores, e mercado de trabalho aquecido. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia desacelerou, porém ainda acima do limite superior da meta, enquanto as medidas subjacentes desaceleraram para patamar ligeiramente abaixo do limite superior da meta", detalha o Copom.
Entenda os termos usados com frequência nas comunicações do Banco Central
"O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem adicional das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação. Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta", apontam os membros do colegiado.
Pausa em 14%
"O comunicado dá sinais que seria uma melhora suficiente para o corte, mas não dá para dizer que será um ciclo de flexibilização ampla. A grande interrogação é se vai ter espaço para mais um corte de 0,25 ponto percentual ou não", opina Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, ao Portal AMANHÃ. "No comunicado anterior, se falava em diferentes trajetórias de juros. Ou seja, dava a entender que uma mudança estaria no horizonte e o texto de hoje isso não existe mais. Fala-se apenas em manter a restrição adequada da política monetária", nota o especialista.
Na visão de Perri, isso é um sinal mais forte de que o Banco Central vai pausar o ciclo de cortes da taxa de juros em 14%. "Claro que isso pode mudar se novos dados vierem ao longo dos próximos 40 dias que justifiquem isso, mas minha leitura para hoje é que o cenário-base é uma pausa em 14%. Temos de ter surpresas positivas daqui para frente para que isso mude", justifica.
“O tom do comunicado veio cauteloso, chamando atenção para os choques inflacionários com a alta do petróleo e efeitos climáticos que impactam o custo de energia. Acredito que a decisão de queda de juros foi acertada, visto que apesar de um tom cauteloso, seguimos com o juro real elevado", avalia Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital. "Espero que a cautela se mantenha até o final de 2026, em função do cenário externo e a possibilidade de juros mais altos no mercado norte-americano. Acredito que o impacto da alta do petróleo também possa ser sentido nos mercados por mais tempo", prevê Parente.
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