Dificuldade para pagar contas básicas afeta sete em cada dez brasileiros

Levantamento da Abefin mostra que sofrimento psíquico relacionado às finanças afeta todas as classes sociais
Ao contrário do que muitos imaginam, o sofrimento relacionado às finanças não está restrito às camadas mais vulneráveis da população

A maioria dos brasileiros vive uma realidade de fragilidade financeira. Entre os principais desafios enfrentados atualmente estão a dificuldade para pagar contas básicas (69,4%), a existência de dívidas (61,2%), a renda insuficiente para cobrir as necessidades do dia a dia (53,6%) e o desemprego (31,1%). Os dados são de uma pesquisa inédita realizada pela Associação Brasileira de Profissionais de Educação Financeira (Abefin), em parceria com o Instituto Axxus, que revelou que questões financeiras estão associadas a oito em cada dez casos de adoecimento mental

O levantamento ouviu 1 mil brasileiros de todas as regiões do país com diagnóstico formal de ansiedade, depressão, estresse crônico ou síndrome de burnout, e teve entrevistas presenciais em profundidade conduzidas por psicólogos especializados. Os reflexos desse cenário vão muito além do orçamento doméstico. O lazer foi prejudicado para 64,9% dos participantes, seguido por impactos no humor (61,9%), nas relações familiares (60,1%), na qualidade do sono (56,1%), no desempenho profissional (42,8%) e nas amizades e relações sociais (39,8%).

Impacto atinge diferentes perfis sociais
Ao contrário do que muitos imaginam, o sofrimento relacionado às finanças não está restrito às camadas mais vulneráveis da população. A pesquisa identificou que 49,1% dos entrevistados da Classe A apontaram os problemas financeiros como principal gatilho para o adoecimento mental, percentual superior ao observado em outras classes sociais.

Segundo o presidente da Abefin, Reinaldo Domingos, o resultado demonstra que a pressão financeira assume formas diferentes conforme a realidade de cada indivíduo. "Muitas vezes se associa a dificuldade financeira apenas à falta de renda. Mas existe também a pressão para manter patrimônio, padrão de vida, compromissos financeiros e expectativas futuras. O medo de perder aquilo que foi conquistado pode gerar um nível de estresse tão significativo quanto a escassez de recursos. O sofrimento emocional relacionado ao dinheiro não escolhe classe social", explica.

Pessimismo financeiro supera preocupação com a saúde mental 
Outro dado que chama atenção é a percepção sobre o futuro. Enquanto 35,9% dos entrevistados demonstram otimismo em relação à melhora de sua saúde mental, apenas 20% acreditam que sua situação financeira irá melhorar. Por outro lado, 67,2% afirmam ter uma visão pessimista ou muito pessimista em relação ao próprio futuro financeiro. Apesar da forte relação identificada entre finanças e saúde mental, quase metade dos entrevistados (48,5%) nunca buscou orientação profissional em educação financeira.

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Quinta, 13 Agosto 2026

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