Um em cada cinco usuários de internet se tornam vítima de golpe
Cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil ─ 32% do total ─ sofreram tentativas de golpe com o uso de seus dados pessoais. Além disso, 20% afirmaram que foram vítimas efetivas desse tipo de crime. Os dados são da terceira edição da pesquisa privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil. O estudo foi realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação, área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil. A intenção do estudo foi conhecer a perspectiva das pessoas sobre a privacidade, as práticas adotadas, os riscos percebidos e a visão sobre o uso de dados pessoais por terceiros. Realizada em dezembro de 2025, a pesquisa teve 2,5 milhões de entrevistados em entrevistas online.
Essas tentativas de golpes ocorrem em vários canais de comunicação. A principal via de abordagem são os aplicativos de mensagens (84% dos casos). Na sequência, estão as ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), email (69%) e redes sociais (67%).
Em uma primeira investigação sobre a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa, sob a ótica da privacidade, uma pesquisa mostrou que, apesar de a utilização profissional ou acadêmica ser a mais comum, não é raro encontrar casos de uso dessas plataformas "para aconselhamento, suporte emocional e companhia". Entre as categorias evidenciadas, o uso de IA de generativa para trabalho ou de estudo foi a mais apontada (73%), seguida de preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas (58%), sentimentos e emoções (54%), dados de saúde, como sintomas e exames (52%) e fotos suas ou de pessoas conhecidas (50%). As menos citadas foram finanças pessoais, como orçamentos e investimentos (41%) e dados pessoais, como nome, endereço, dados de nascimento ou CPF (37%). A maioria (66%) dos usuários de IA generativa relataram estar preocupados ou muito preocupados com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas. O percentual é maior entre aqueles que têm nível mais alto de escolaridade (72%).
O estudo se estendeu às empresas brasileiras e 69% das que responderam às questões relacionadas ao armazenamento de dados pessoais de clientes e/ou usuários. A biometria apareceu como a mais frequentemente armazenada pelas organizações (31%), acompanhada na sequência por dados de saúde (26%). Ainda entre as empresas que guardam os dados, 9% fornecem informações pessoais de menores de 18 anos. O levantamento mostrou um quadro de estabilidade na implementação de estruturas formais de governança ou adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
No setor público, houve avanço na presença de áreas ou responsabilidades por privacidade especialmente na esfera municipal. Impulsionada, por prefeituras de até 10 mil habitantes (de 31% para 37%), a fatia de órgãos públicos que dedicaram parte de sua estrutura ao tema subiu de 36%, em 2023, para 42%, em 2025. A presença dessas estruturas nos órgãos federais e estaduais se mostrou mais presente no Ministério Público (100%), Judiciário (94%) e Legislativo (83%) do que no Executivo (74%).
Para a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, ao mesmo tempo em que os usuários precisam prestar atenção às informações que coletamos, não é possível transferir para eles a responsabilidade de proteger seus dados. “É fundamental que empresas e organizações públicas adotem práticas de governança, transparência e segurança capazes de garantir o uso responsável dessas informações. A proteção de dados é uma dimensão essencial da autonomia e dos direitos das pessoas na sociedade digital”, disse.
Com ABR
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