Onde estamos errando na atração de investimentos da China?

Aportes no setor de energia e São Paulo seguem sendo preferidos pelos chineses
Metade dos empreendimentos chineses no Brasil no ano passado foram no setor de eletricidade

Energia e o estado de São Paulo continuam disparados em primeiro lugar na preferência da China, de acordo com o estudo Investimentos Chineses no Brasil 2022, elaborado por Túlio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) e disponível para download no site da entidade. Publicado na terça-feira (29), o estudo traz informações importantes sobre investimentos chineses no Brasil e no mundo. A primeira delas é que metade dos empreendimentos chineses no Brasil no ano passado foram no setor de eletricidade e 25% em Tecnologia de Informação (TI). A agricultura, responsável por seguidos superávits da balança comercial com a China, respondeu por 6% dos aportes realizados, participação semelhante à de fabricação de veículos e obras de infraestrutura. Têxteis e materiais para uso médico e odontológico tiveram 3% cada um.

Chama a atenção, de maneira muito negativa, a redução de 78% do valor total dos investimentos chineses no Brasil em 2022 em relação ao ano anterior: US$ 1,3 bilhão – o menor valor desde 2009. O pequeno (14%) aumento da quantidade de projetos não altera em nada a queda astronômica dos investimentos – em 2010, o total confirmado chegou a US$ 13 bilhões. Com o agravante que o total investido no Brasil representou pouco mais de 1% dos US$ 116,8 bilhões investidos por empresas chinesas no mundo em 2022. Tão pouco investimento chinês no Brasil no ano passado causa mais estranheza ainda quando se sabe que o total de investimentos estrangeiros no Brasil em 2022, US$ 90,6 bilhões registrados pelo Banco Central, foi quase o dobro do que entrou em 2021.

Evidentemente, os Estados Unidos são muito mais atrativos para investimentos chineses do que qualquer outro país, o que explica o estoque de US$ 192,7 bilhões de 2005 a 2022. E ainda que a Austrália tenha a vantagem da proximidade, os US$ 105 bilhões de investimentos chineses nesse mesmo período certamente têm a ver também com a postura ativa das suas empresas e governos em promoção de oportunidades de investimento. Em quarto lugar no mundo, com US$ 67,2 bilhões acumulados (ou US$ 71,6 bilhões, de acordo com os critérios do CEBC), o Brasil não está mal, mas com certeza poderia estar muito melhor.

Aliás, essa questão é recorrente, nas análises dos últimos 20 anos da estratégia brasileira das relações Brasil-China: faz sentido, por exemplo, essa concentração dos investimentos no setor elétrico e em São Paulo? Onde estamos errando na atração de investimentos da China? O que deixamos de fazer, o que deve ser mudado? Em outras palavras: em que os investimentos de empresas da China podem ser decisivos, para melhorar a qualidade de vida da população e a competitividade internacional dos produtos exportados pelo Brasil?

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Segunda, 26 Fevereiro 2024

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