Relatório de sustentabilidade no padrão internacional desafia empresas brasileiras

Somente oito das 358 empresas da B3 conseguiram antecipar a publicação
Colombari destaca que empresas que ignoram os vetores de valor da sustentabilidade correm o risco de ficar para trás enquanto concorrentes aproveitam as oportunidades

A partir de 1º de janeiro de 2026, todas as empresas listadas na B3 terão de publicar relatórios de sustentabilidade seguindo normas internacionais, conforme o padrão definido pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade (CBPS). A medida, estabelecida pela Resolução CVM nº 193 de outubro de 2023, marca uma nova era de transparência e responsabilidade corporativa no mercado brasileiro. O prazo final para a primeira publicação é maio de 2027, junto ao formulário de referência, referente ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2026.

As empresas tiveram até o fim do ano passado para informar se pretendiam antecipar a divulgação para o exercício de 2025 (com divulgação até setembro de 2026), o que traz vantagens como: antecipação das informações ESG aos investidores, reconhecimento das companhias como referência em comunicação ESG, entre outros. Apesar disso, apenas oito das 358 empresas listadas na B3 decidiram antecipar o prazo, sendo que duas delas já publicaram relatórios referentes ao exercício de 2024.

Poucas companhias conseguiram antecipar a publicação, o que evidencia a complexidade do processo. Investidores terão de esperar até o prazo limite para acessar informações ESG consideradas materiais pelo CBPS. A expectativa é de alta demanda por especialistas e recursos para elaboração dos relatórios, especialmente diante das exigências de outros reguladores, como o Conselho Monetário Nacional (CMN) e o Conselho Federal de Contabilidade (CFC). 

As demonstrações financeiras devem trazer mais detalhes sobre ESG, refletindo as conexões contábeis do novo relatório. "A adoção do padrão internacional de sustentabilidade é um avanço importante para o mercado de capitais brasileiro. Ela promove mais transparência, comparabilidade e acesso a fontes de financiamento internacionais", comenta Mauricio Colombari, sócio e líder de sustentabilidade na PwC Brasil. "No entanto, exige das empresas uma resposta coordenada entre áreas de sustentabilidade, contábeis, de controles e tecnológicas, além de revisão profunda da governança corporativa", completa.

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Terça, 13 Janeiro 2026

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