Indústria automotiva revisa para cima projeções de produção
Com o encerramento do primeiro semestre e diante do desempenho acima do esperado das vendas de veículos no mercado interno, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou para cima as projeções divulgadas em janeiro. A expectativa agora é que o Brasil ultrapasse a marca de 3 milhões de veículos emplacados no ano, patamar que não é alcançado desde 2014. Caso a projeção se confirme, o crescimento será de 11,7% em relação a 2025, bem acima dos 2,7% previstos no início do ano.
O avanço será impulsionado principalmente pelos segmentos de automóveis e comerciais leves, cuja expectativa de crescimento passou para 12,6%. Já os segmentos de caminhões e ônibus devem encerrar o ano com retração de 6%. Na contramão do mercado doméstico aquecido, as exportações deverão fechar 2026 com queda de 12,8%, reflexo da retração do mercado argentino e da maior presença de veículos chineses e mexicanos no mercado nacional. Em janeiro, a projeção da entidade era de uma alta de 1,5%. Com esse cenário, a produção nacional deve registrar um desempenho positivo, mas ainda distante do potencial proporcionado pela demanda interna. A projeção de crescimento passou de 3,7% para 5,8% sobre 2025, alcançando um volume próximo de 2,8 milhões de unidades produzidas, o melhor resultado desde 2019.
"Por um lado, ficamos satisfeitos com o vigor do mercado nacional e com essa alta na produção. Por outro lado, lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados isenta de Imposto de Importação, algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito, dado o bom desempenho dos veículos eletrificados no mercado", critica Igor Calvet, presidente da entidade.
Primeiro semestre registra melhor desempenho desde a pré-pandemia
Junho apresentou desempenho de emplacamentos e produção ligeiramente inferior ao de maio, mas suficiente para consolidar o melhor primeiro semestre desde 2019, último ano antes da pandemia. Entre janeiro e junho foram produzidos 1,3 milhão de automóveis, volume 8,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025. O principal motor desse crescimento foi o segmento de automóveis, cujas vendas avançaram 23,7%, o equivalente a 208 mil unidades a mais do que no primeiro semestre do ano passado.
Desse incremento, 73 mil unidades são atribuídas ao programa Carro Sustentável, que impulsionou as vendas dos veículos de entrada. Outros 130 mil veículos vieram do crescimento dos eletrificados, sendo 70 mil produzidos no Brasil e 60 mil importados. Em junho, os eletrificados alcançaram participação recorde nas vendas de veículos leves, chegando a 20,9% do mercado. Já o segmento de veículos pesados segue em recuperação mais lenta, impulsionado pela segunda fase do programa Move Brasil. No acumulado do semestre, as vendas de caminhões recuaram 10,5%, enquanto as de ônibus registraram queda de 11,6%. Embora junho tenha apresentado os melhores resultados do ano para ambos os segmentos, o desempenho ainda não é suficiente para reverter a expectativa de mais um ano de retração.
As exportações, por sua vez, continuam sem sinais de recuperação. Em junho, os embarques ficaram 26,7% abaixo do registrado no mesmo mês de 2025. Com isso, o acumulado do primeiro semestre chegou a 216,6 mil unidades exportadas, uma queda de 21,2%. Apenas para a Argentina, a redução foi de quase 60 mil unidades no período, reflexo tanto da retração do mercado local quanto da perda de participação dos veículos brasileiros para modelos chineses e mexicanos. Depois de muitos anos, o Brasil voltou a registrar déficit na balança comercial do setor automotivo. No primeiro semestre, ingressaram no país 63 mil veículos a mais do que o total exportado. Entre janeiro e junho, foram emplacados 280,6 mil veículos importados, dos quais metade teve origem na China. Em apenas um ano, o volume de veículos chineses enviados ao Brasil dobrou, passando de 70 mil para 140 mil unidades.
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