Paraguai e Paraná: oportunidades de integração anunciam novo ciclo de investimentos

Grupo Ric avalia o interesse das entidades paraguaias em construir uma agenda conjunta de aproximação entre o Paraguai e o público paranaense, utilizando a força de comunicação
Pedro Andrade, diretor da regional Oeste do Grupo, Jacinto Santa Maria, ministro do Turismo do Paraguai, e Leonardo Petrelli, presidente do Grupo Ric, em Assunção

A fronteira do Paraná com o Paraguai caminha para se tornar um corredor de desenvolvimento integrado, deixando de ser apenas um ponto de passagem de turistas e compristas. A fim de avaliar o interesse das entidades paraguaias em construir, de forma conjunta, uma agenda permanente de aproximação entre o Paraguai e o público paranaense, o presidente do Grupo Ric, Leonardo Petrelli, seguiu uma agenda de compromissos institucionais nos últimos dias nas cidades de Ciudad del Este, junto a Foz do Iguaçu, e Assunção, capital paraguaia. Em Assunção, o ministro do Turismo do Paraguai, Jacinto Santa María, apresentou ao presidente do Grupo Ric e ao diretor do Grupo Ric Oeste, Pedro Andrade, um plano ambicioso para transformar o país em polo de entretenimento da América do Sul, com meta de atrair 10 milhões de turistas por ano em até dez anos. O Paraná está no centro dessa estratégia. A estimativa é de que os turistas paranaenses representem uma fatia próxima de US$ 1,5 bilhão anuais.

Dentro dessa estratégia, a comunicação é fundamental para mudar a percepção dos brasileiros. Hoje eles permanecem de dois a três dias na região, para conhecer as Cataratas do Iguaçu e o centro de compras de Ciudad del Este, no Paraguai. Um dos desafios é que os turistas fiquem pelo menos uma semana na região, para conhecer outros destinos turísticos importantes e pouco divulgados. Para atingir essa meta é preciso mudar a percepção de parte dos brasileiros sobre o Paraguai. "O Grupo Ric alcança hoje 60 milhões de pessoas em TV, rádio e portais, e tem a integração em seu DNA. Podemos colaborar para que esse turismo evolua, batendo as metas de visitação estabelecidas pelo governo paraguaio para a economia do turismo", disse Leonardo Petrelli ao ministro do Turismo do Paraguai. "Queremos ampliar a oferta de experiências turísticas e incentivar o paranaense que já vai a Foz do Iguaçu a conhecer Assunção, Encarnación e outros atrativos", comentou.

Indústria e Lei de Maquila: 70% das empresas são brasileiras

Mas não é só no turismo que há oportunidades para os empresários paranaenses e da região Sul do Brasil. A Lei de Maquila, instituída em 2007, criou um regime especial desburocratizado que permitiu o crescimento industrial e atraiu investidores estrangeiros. Desde 2007 mais de 260 empresas migraram ao menos parte da sua produção para o Paraguai, das quais 70% são brasileiras. Somente entre 2023 e 2026, 66 empresas brasileiras aproveitaram o modelo para levar uma parte da produção para o país vizinho. A importação pelo Paraguai permite ter o produto na prateleira em 72 horas, enquanto a logística da Ásia leva várias semanas. O setor de autopeças, por exemplo, movimenta em torno de US$ 500 milhões entre Brasil e Paraguai. O Brasil compra da China quase US$ 20 bilhões em autopeças, estando do outro lado do mundo. A taxação para exportações no Paraguai é de apenas 1%.

O vice-ministro de Mipymes (Micro, Pequenas e Médias Empresas) do Ministério da Indústria e Comércio (MIC), Gustavo Giménez, disse a Petrelli que as cooperativas paraguaias da província de Alto Paraná mantêm contato com as brasileiras principalmente na troca de tecnologia e experimentação para o campo. As cooperativas representam 25% das exportações do Paraguai e há uma grande oportunidade com a proximidade do Paraná para fazer boas trocas. O Paraná tem indústria com faturamento anual de US$ 36 bilhões só no setor industrial, quase todo o PIB do Paraguai.

A busca de brasileiros que buscam residência no Paraguai segue em crescimento em 2026 e já representa a maior parte dos pedidos registrados pela Direção Nacional de Migrações. Brasileiros representam cerca de 64% das solicitações registradas entre janeiro e março deste ano, com volume superior a 18 mil pedidos no período. Em todo o ano passado, mais de 25 mil brasileiros solicitaram residência no país. Os principais fatores apontados são benefícios tributários, custo de vida mais baixo e maior facilidade para abertura de negócios. Quando toda a documentação é apresentada corretamente, a emissão da residência pode ocorrer em menos de uma semana. Atualmente são cerca de 350 mil cidadãos brasileiros registrados no Paraguai, os chamados brasiguaios. O Paraguai é o terceiro país com o maior número de brasileiros vivendo no exterior, ficando atrás apenas de Estados Unidos e Portugal.

Veja mais notícias sobre BrasilEconomiaNegócios do SulParaná.

Veja também:

 

Comentários:

Nenhum comentário feito ainda. Seja o primeiro a enviar um comentário
Visitante
Quarta, 01 Julho 2026

Ao aceitar, você acessará um serviço fornecido por terceiros externos a https://amanha.com.br/