Indústria automotiva projeta para este ano alta de 3,7% na produção
Os sinais de desaceleração da economia no segundo semestre não impediram o setor automotivo de fechar o ano com vendas em alta pelo terceiro ano consecutivo. Os emplacamentos subiram 2,1% na comparação com 2024, mostrando a resiliência do mercado brasileiro mesmo diante de um período prolongado com juros em patamares elevados. A produção também teve resultado positivo em 2025, um crescimento de 3,5% ante o ano anterior, puxado por um apetite renovado no exterior pelos veículos fabricados no país. As exportações tiveram alta de 32,1%. Para 2026, a Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) projeta um novo ano de resultados positivos, ainda que o crescimento seja mais discreto devido ao cenário mais desafiador à frente.
O ano fechou com 2,6 milhões de veículos produzidos, elevação de 3,5% em relação ao ano anterior. Para este ano, a expectativa da Anfavea é de crescimento de 3,7% no volume de produção, o que representa 2,7 milhões de unidades. Essa alta deverá ser concentrada em veículos leves, com alta de 3,8%. Para caminhões e ônibus, a previsão é de uma produção de 154 mil, 1,4% acima dos 152 mil fabricados no ano passado.
O bom desempenho de emplacamentos em dezembro, com muitas promoções de queima de estoque, foi importante para o resultado positivo do ano. Ao todo, 2,6 milhões de veículos foram emplacados, alta de 2,1%. Faltaram 100 mil unidades para que se atingisse o total de 2019, o que nos levaria ao patamar pré-pandemia. O segmento de caminhões foi o mais afetado pela taxa de juros elevada e registrou queda de 9,2% – no caso dos modelos pesados, voltados majoritariamente para transporte de longas distâncias, a retração foi ainda mais acentuada, de 20,5% ante 2024.
"O patamar elevado da taxa Selic e a persistência de tensões geopolíticas, que limitaram uma recuperação mais consistente do setor ao longo de 2025, seguem presentes neste início de ano. Esse cenário nos leva a projetar um comportamento de mercado em 2026 bastante semelhante ao observado no segundo semestre do ano passado", afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet.
Tanto as exportações quanto as importações registraram alta relevante em 2025. Os embarques de veículos nacionais cresceram 32,1%, totalizando 528,8 mil unidades. Espera-se para 2026 uma ligeira alta de 1,3%, com 536 mil unidades, ainda calcada no bom desempenho da Argentina. A entrada de veículos estrangeiros subiu 6,6%. Este crescimento foi puxado pela entrada de automóveis vindos fabricados em países sem acordo de livre comércio com o Brasil, especialmente a China. O país asiático representou 37,6% dos 498 mil importados emplacados no Brasil em 2025. Assim, pela primeira vez, Mercosul e México não lideraram a lista, com países fora desses tradicionais parceiros representando 50,2% dos importados vendidos no país.
"Nossa expectativa é que o fluxo de entrada de modelos eletrificados importados se reduza ao longo de 2026, com o início da produção nacional de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no país, o fim dos incentivos à importação de kits para SKD e CKD e a recomposição da alíquota do imposto de importação, prevista para julho", projeta Calvet.
Comentários: