Significa?

Não, nem tudo
Você assistiu aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e se sentiu meio perdido, dependendo da descrição do locutor para entender o que cada ala, carro alegórico e fantasia representava?

Você assistiu aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro e se sentiu meio perdido, dependendo da descrição do locutor para entender o que cada ala, carro alegórico e fantasia representava? Não se preocupe. Isso é perfeitamente normal – e até planejado.

Paulo Barros, o maior carnavalesco deste século, é quem diz:

"Quem vê uma Escola de Samba não entende o que está passando e não vai entender, a não ser que tenha um livro-guia que explique qual foi a ideia do enredo (...). A história de que a Escola passa e você entende tudo é mentira". ("Sem segredo. Estratégia, inovação e criatividade". Casa da Palavra, 2013, p. 176 e 177).

O motivo?

"Meu ponto de partida é sempre a imagem. (...) Depois que está tudo pronto, começo a contar a história".

Em outras palavras: importa o impacto visual, não o significado. Lógica compartilhada pelo cineasta Kleber Mendonça Filho, que em seu filme "O Som ao Redor", concebeu uma cena em que um casal tomava banho numa cachoeira de água vermelha. Sangue dos escravos, antigos moradores do local? Só na interpretação dos críticos, pois Mendonça Filho não teve essa intenção, segundo conta nos extras do DVD.

Essa gratuidade é ainda mais comum na música. Muitas vezes letras são apenas o mal necessário para conduzir melodias, e se for preciso lançar mão de onomatopeias ou sílabas sem sentido, mas com boa sonoridade, paciência. É o caso do refrão "Beat it laun, daun daun" de "Garota Nacional", do Skank, do controvertido "Shoorah" ao fim de "Cold Heart", de Elton John, e de "Ba-Ye-da", de "September", do Earth, Wind & Fire. Um desses vocalises nonsense, curiosamente, deu cria: o "Scooby-do-bidoo" que Frank Sinatra inseriu ao fim de "Strangers in the Night" acabou batizando o personagem de desenho animado anos depois.

E o que essas trivialidades das artes estão fazendo num blog de negócios? Você já deve ter desconfiado. Nomes de marca que não querem dizer nada e slogans sem sentido também fazem parte do cardápio do marketing. Exemplos? "Kzuka", o antigo suplemento jovem da Zero Hora que circulava até uns anos atrás, é um deles. "Kodak" e "Hopi Hari" também. "Häagen-Dazs", mais ainda. Trata-se de uma marca americana de sorvetes pensada para parecer escandinava e cujo nome não quer dizer nada.

E os slogans e bordões? Quem não lembra do militar russo da Net que exclamava "Skavurska!", do "Beba Fanta e fique bamboocha" ou do histórico "Uh-laga-laga-laga-uh!", do Sadol? Então, se você está empacado em um job de naming ou posicionamento, tentando encontrar palavras ou frases para embalar uma marca ou produto, lembre-se: às vezes, a melhor maneira de conferir sentido às coisas é ignorá-lo completamente. 

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Segunda, 24 Junho 2024

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