Um rodízio de estratégias...

...para quando a estratégia do rodízio não funcionar mais
Alguns estabelecimentos gastronômicos se aventuram em bolar produtos diferentes e os comercializam do jeito convencional

A maior parte dos estabelecimentos gastronômicos combina conteúdo e forma tradicionais. Explico: oferecem os produtos de sempre, sejam eles pratos, lanches ou doces, de um jeito conhecido — à la carte, em sequência, self-service, pegue-e-leve, por quilo etc. E contam com a localização, o preço e a própria familiaridade do consumidor com a comida e o modelo de servi-la para prosperar.

Outros se aventuram em bolar produtos diferentes e os comercializam do jeito convencional. É o caso de uma sorveteria argentina que se destaca tanto pela presença de sabores inusitados (figo, creme de milho com toffee, zabaione com missô) quanto pela ausência de campeões de venda entre os portenhos, como chocolate, morango e doce de leite. E de confeitarias que, pensando na Páscoa, lançam ovos meio-a-meio (uma fatia de cada sabor), inserem ingredientes novos (croissant incorporado à casca, toques de limão no chocolate branco) ou se arriscam a misturar receitas, como ovo com pudim – em que o tradicional doce vai ali, inteirinho, repousado sobre a parte côncava da casca.

Mas foi uma confeitaria porto-alegrense que mais chamou a atenção ultimamente ao inovar em produto e formato simultaneamente.

Primeiro, desenvolveu diversas receitas do tradicional brigadeiro. Mais de 50, entre as quais banana, milho, queijo com goiabada, mirtilo, morango e caramelo. Depois, teve a ideia de vendê-los não por cento ou por unidade, e sim em formato de rodízio, a um preço fixo por pessoa. Mas como até doce bom em excesso satura, acrescentou salgadinhos à sequência, fazendo o estabelecimento remeter a uma típica festa infantil.

Um detalhe interessante: a ideia de oferecer os brigadeiros em rodízio veio da resistência dos clientes em pedi-los pelo cardápio, já que, de tão diferentes as opções, mal conseguiam imaginar o que seu paladar iria encontrar. Assim, o formato insólito surgiu para ajudar a alavancar produtos igualmente incomuns e mitigar a sensação de risco dos comensais.

Em breve, começarão os desafios. O primeiro: provar que o formato é longevo, e não apenas uma modinha passageira. Segundo: enfrentar as cópias, que inevitavelmente aparecerão. E, terceiro e mais importante: preparar-se para uma potencial mudança de comportamento da clientela, devido à popularização das canetas emagrecedoras. Como continuar promovendo um negócio que lembra aniversário de criança se os clientes estarão menos esfomeados? Com porções menores? Com versões saudáveis e "proteicas"?

Daí será a vez de testar se, além de doces e salgados, os donos são bons no rodízio de estratégias.

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Segunda, 30 Março 2026

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