A regra é clara?
Viralizou esses dias o caso de um vestibulando que tirou zero na redação da Fuvest, o processo seletivo da USP, por usar um vocabulário excessivamente rebuscado. Postulante a uma vaga no Direito, talvez o rapaz imaginasse que, escrevendo difícil, estaria bem credenciado a um curso conhecido por formar profissionais que adoram um jargão.
Alguns representantes da categoria, contudo, têm ido em direção oposta e tentado tornar seu léxico mais compreensível. É o caso de uma juíza goiana que passou a emitir sentenças ilustradas. Em paralelo ao texto formal, divulga resultados valendo-se de infográficos, fluxogramas e ícones, e de um linguajar leigo e com frases mais curtas.
A adoção de um palavreado acessível já vem sendo considerada uma questão de cidadania. Os apelos pela linguagem clara, especialmente nos serviços públicos, são a bandeira de uma associação internacional dedicada ao assunto e começam a receber adesão no Brasil. Enquanto a prática não se dissemina, uma influenciadora faz o papel de tradutora do juridiquês nas redes sociais.
Fora da esfera legal, a simplificação também viria bem ao economês do universo dos investimentos – em favor do interesse dos próprios captadores de recursos, aliás. Pesquisa mostrou que quase três-quartos dos brasileiros recorre à internet ou a conhecidos para buscar dicas de alocação de capital, e não a assessores e analistas de bancos e corretoras. O obstáculo não está somente na terminologia técnica por vezes impenetrável, mas também no elevado grau de abstração que carrega , o que dificulta a captura da atenção e da confiança do poupador.
Diante dessas evidências, é de se especular se os revisores da Fuvest não estavam apenas se antecipando aos futuros professores e chefes do candidato e tenham tratado de corrigi-lo antes mesmo que entrasse na faculdade.
Veja mais notícias sobre BrasilComportamentoJustiça.
Comentários: