Mergulho no desconhecido
Que riscos são aceitáveis em inovações radicais?
Quando o submersível Titan implodiu levando a bordo cinco tripulantes, três deles pagantes que haviam desembolsado US$ 250 mil para ver os destroços do Titanic no fundo do mar, ergueu-se uma onda de condenações à empresa responsável pelo veículo, OceanGate, e a seu CEO, Richard Stockton Rush, também morto no acidente. Matérias ressaltavam o documento assinado pelos passageiros dizendo-se cientes de que a nave era experimental e que, por isso, havia risco concreto de morte, bem como isentando a promotora da viagem de quaisquer encargos.
A imagem negativa da companhia e de seu dirigente foi acentuada pelo recente documentário Titan, veiculado pela Netflix, no qual ex-funcionários da OceanGate descrevem a maneira pela qual seus alertas de segurança sobre a embarcação foram reiteradamente ignorados pelo fundador.
Há, porém, uma pessoa que discorda dessas opiniões. Mike Reiss, jornalista, fez a viagem ao fundo do oceano um ano antes e guarda na memória o CEO da OceanGate como um sujeito "meticuloso e detalhista". Em depoimento à Seleções Reader's Digest de fevereiro deste ano, Reiss escreve: "Rush insistiu que eu comparecesse às sessões matinais de informação e aos resumos noturnos"; o tal termo de assentimento que os viajantes assinavam nada mais era um sinal de que o empreendedor "pensara em tudo; (e que) garantiu que conhecêssemos o risco". E acrescenta: "Foi imprudência ou risco que acompanha o pioneirismo? (...) Rush era algo que costumávamos admirar: um visionário" (p. 79).
Pode soar meio cínico, mas poder haver um quê de verdadeiro na perspectiva do jornalista. Dois livros
Parece ter sido o caso do Titan. E o de outros companhias vanguardistas, desta vez bem-sucedidas, que levaram civis para a órbita da Terra recentemente. É difícil imaginar que o turismo espacial particular esteja mais revestido de segurança e conhecimento técnico do que o mergulho nas profundezas do oceano.
Condenado no presente, talvez Stockton Rush seja absolvido no futuro. Ao contrário de Bruce Ismay, o infame proprietário do Titanic, ele não prometeu a ninguém uma embarcação à prova de falhas – nem se apressou a tomar lugar num bote salva-vidas tão logo suas convicções foram rasgadas por um iceberg.
Há, porém, uma pessoa que discorda dessas opiniões. Mike Reiss, jornalista, fez a viagem ao fundo do oceano um ano antes e guarda na memória o CEO da OceanGate como um sujeito "meticuloso e detalhista". Em depoimento à Seleções Reader's Digest de fevereiro deste ano, Reiss escreve: "Rush insistiu que eu comparecesse às sessões matinais de informação e aos resumos noturnos"; o tal termo de assentimento que os viajantes assinavam nada mais era um sinal de que o empreendedor "pensara em tudo; (e que) garantiu que conhecêssemos o risco". E acrescenta: "Foi imprudência ou risco que acompanha o pioneirismo? (...) Rush era algo que costumávamos admirar: um visionário" (p. 79).
Pode soar meio cínico, mas poder haver um quê de verdadeiro na perspectiva do jornalista. Dois livros
(The Misfit Economy, de Alexa Clay e Kyra Maya Phillips, e Permissionless Innovation, de Adam D. Thierer) sugerem que o "empreendedorismo radical", disposto a andar nos limites da lei, investir na experimentação e assumir riscos baseados em contratos particulares transparentes, sem necessariamente esperar pela regulamentação definitiva das suas atividades, é mais benéfico para fomentar um ecossistema inovador do que negócios conduzidos estritamente by the book. Se os danos potenciais de um empreendimento em fase exploratória não são coletivos, parâmetros menos engessados de viabilidade são mais razoáveis do que a espera pelo alinhamento perfeito de domínio da técnica e da fixação de leis. Desde que, claro, a outra parte esteja devidamente informada a respeito.
Parece ter sido o caso do Titan. E o de outros companhias vanguardistas, desta vez bem-sucedidas, que levaram civis para a órbita da Terra recentemente. É difícil imaginar que o turismo espacial particular esteja mais revestido de segurança e conhecimento técnico do que o mergulho nas profundezas do oceano.
Condenado no presente, talvez Stockton Rush seja absolvido no futuro. Ao contrário de Bruce Ismay, o infame proprietário do Titanic, ele não prometeu a ninguém uma embarcação à prova de falhas – nem se apressou a tomar lugar num bote salva-vidas tão logo suas convicções foram rasgadas por um iceberg.
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