Sanepar: sustentabilidade e tecnologia rumo à universalização
O case a seguir faz parte do livro "Paraná | Grandes Marcas — volume II", publicado pelo Instituto AMANHÃ.
A história do saneamento no Paraná é uma narrativa de evolução constante, que parte da simplicidade dos chafarizes do século XIX para alcançar a complexidade da inteligência artificial no século XXI. A relação dos curitibanos com a água era marcada, na metade do século XIX, pelo esforço diário junto aos bebedouros da rua Fechada, no atual Largo da Ordem. A demanda crescente exigiu novas estruturas e, em 1908, ocorre a inauguração do primeiro sistema de abastecimento e coleta de esgoto.
Esse foi o embrião de uma trajetória que passaria pelas mãos visionárias do engenheiro Saturnino de Brito. A expansão para o interior do estado, entre as décadas de 1930 e 1940, e a pioneira fluoretação da água na Estação do Tarumã nos anos 1950, prepararam o terreno para o grande salto institucional: a sanção da lei pelo governador Ney Braga, em 1963, que criou a Agepar, renomeada no ano seguinte como Sanepar.
Hoje, a distância entre aquele chafariz histórico e a atual Companhia de Saneamento do Paraná pode ser medida em voltas ao redor da Terra: se os atuais 63 mil quilômetros de rede de água e 44 mil quilômetros de rede de esgoto fossem colocados em linha reta, seriam suficientes para circundar o planeta duas vezes e meia.
De uma empresa criada para resolver problemas básicos de abastecimento, a Sanepar transformou-se em uma gigante do setor, reconhecida como a maior empresa pública de saneamento do Brasil e uma referência internacional em inovação e sustentabilidade.
A era Sanepar 5.0
O presente da Sanepar é definido pela inovação disruptiva. A companhia vive a era do Sanepar 5.0, um programa estratégico focado na transformação digital, na governança e na inteligência de dados. A iniciativa busca não apenas modernizar processos, mas redefinir a eficiência operacional através de tecnologias como inteligência artificial, Internet das Coisas (IoT) e Machine Learning.
O diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, tem sido enfático sobre o papel transformador da companhia. "Nosso propósito, acima de tudo, é promover saúde pública através do saneamento. O modelo Sanepar 5.0 alia infraestrutura digital, governança, inteligência de dados e foco na experiência do cliente para garantir que continuemos na vanguarda."
A inovação na Sanepar não é isolada; é aberta. O programa Sanepar Labs, criado em 2021, já recebeu mais de 150 inscrições de startups e empresas para co-criar soluções sustentáveis. Já o programa Radar Tag busca tecnologias globalmente validadas para aplicar no saneamento paranaense. Essa postura vanguardista rendeu à companhia o prêmio de "Melhores do Biogás" e a posição de finalista no Global Water Awards.
No campo da sustentabilidade, a inovação se materializa na CS Bioenergia, localizada ao lado da ETE Belém, em Curitiba. A usina converte lodo de esgoto e resíduos orgânicos em energia elétrica, um modelo perfeito de economia circular. Somam-se a isso os investimentos em usinas fotovoltaicas, que buscam a autossuficiência energética e a redução da pegada de carbono.
O legado da universalização
O horizonte da Sanepar é ambicioso e financiado por um volume histórico de recursos. Para o ciclo de 2025 a 2029, a companhia anunciou um plano de investimentos de R$ 13 bilhões. O objetivo é acelerar a universalização do saneamento no estado, antecipando as metas do Marco Legal do Saneamento.
O presidente também projeta o significado histórico das ações realizadas hoje, enfatizando que a universalização é um patrimônio que ficará para as próximas gerações. "Universalizar o saneamento não é só meta, é um legado. O que fazemos hoje vai impactar a vida dos nossos filhos e dos nossos netos. Estamos trabalhando para levar o serviço a todos que precisam, buscando soluções inovadoras com responsabilidade social."
Esses investimentos não são apenas números em planilhas; eles se traduzem em milhares de obras por todo o estado, desde grandes estações de tratamento em centros urbanos até o atendimento de pequenas comunidades rurais. A estratégia inclui ainda a diversificação de portfólio, com a expansão de serviços de drenagem urbana e gestão de resíduos sólidos, consolidando a Sanepar como uma empresa completa de saneamento ambiental.
O legado do Miringuava
Nenhum projeto simboliza melhor essa nova era do que a Barragem do Miringuava, em São José dos Pinhais. Considerada a obra mais importante de segurança hídrica para a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) das últimas décadas, a represa representa o abastecimento para 3,5 milhões de habitantes.
Após superar desafios complexos de licenciamento ambiental e desapropriações entre 2021 e 2024, a "última etapa" foi vencida com rigor técnico e respeito à natureza. Equipes de biólogos e veterinários realizaram o resgate de fauna e a supressão vegetal controlada, preparando o terreno para o marco histórico do início de 2026: o fechamento das comportas e o início do enchimento do lago. Com capacidade para armazenar 38 bilhões de litros de água, o Miringuava é a materialização da segurança hídrica que permitirá a capital enfrentar crises climáticas futuras.
Sustentabilidade e alcance social
Os números ganham rosto humano nos programas sociais. O Água Solidária mais que triplicou seu alcance, saltando de 184 mil para mais de 608 mil famílias beneficiadas com tarifas reduzidas na última década. O programa Caixa d'Água Boa já levou dignidade a 15 mil famílias, garantindo reservatórios domiciliares para quem mais precisa. No campo, o premiado Sanepar Rural já conectou mais de 520 mil pessoas à água tratada, um feito reconhecido pela ONU na COP28.
A educação ambiental também floresce. O projeto Jardins de Água e Mel, que instala colmeias de abelhas nativas sem ferrão em escolas, já impactou 34 mil alunos, ensinando que a preservação da biodiversidade é vital para a qualidade da água.
Ao unir a força de seus ativos, a inteligência de seus dados e a sensibilidade de seus programas sociais, a Sanepar prova que uma empresa pública pode ser eficiente, lucrativa e, acima de tudo, humana. A população continua com a mesma necessidade dos tempos da rua Fechada: acesso à água essencial para a vida. A diferença é que, agora, essa entrega vem acompanhada da mais alta tecnologia e de um compromisso inabalável com o futuro.
"Nosso propósito, acima de tudo, é promover saúde pública. Universalizar o saneamento não é só uma meta contratual. O que estamos construindo hoje — seja nas grandes barragens ou nas redes de esgoto das pequenas cidades — vai transformar a realidade do Paraná pelas próximas décadas", destaca Bley.
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