Sem fronteiras para o desenvolvimento
Com planos que vão da abertura de novas frentes agrícolas à construção de complexos industriais, cooperativas do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul mostram que a união gera crescimento. Empresas como Frísia, Cotrijal, Cooperalfa e Coamo não só figuram entre as maiores da região, como anunciam ambiciosos planos estratégicos, com investimentos bilionários em expansão de plantas industriais e logística.
Uma das cooperativas que pretende ultrapassar as fronteiras do Paraná é a Frísia, cooperativa agroindustrial centenária sediada em Carambeí (PR), que ocupa a 45ª posição no ranking 500 MAIORES DO SUL. Com uma trajetória marcada pela inovação e a força do cooperativismo, a cooperativa se destaca não apenas no Paraná, mas também em outras regiões do Brasil. Em um audacioso plano de investimento de R$ 1 bilhão até 2030, a Frísia visa aumentar sua receita de R$ 5,7 bilhões em 2024 para impressionantes R$ 13 bilhões ao longo da próxima década. A diretoria planeja investimentos da ordem de R$ 1 bilhão nos próximos cinco anos, para sustentar a expansão dos negócios no Paraná e também em Tocantins. A cooperativa centenária espera sair de uma receita de R$ 5,7 bilhões em 2024 para R$ 13 bilhões até 2030. De acordo com o superintendente da Frísia, Mario Dykstra, a expansão envolve todas as áreas de negócios — produção de leite, carne suína, grãos, sementes e florestal. A Frísia também pretende se valer de parcerias com outras cooperativas, estratégia que já adota em algumas áreas, para avançar na verticalização da produção.
O maior aporte será na instalação de uma esmagadora de soja, com capacidade para processar entre 3 mil toneladas e 3,5 mil toneladas por dia. A indústria será construída em parceria com outras cooperativas. O aporte conjunto tem sido negociado com Agrária, Castrolanda, Capal, Bom Jesus e Coopagrícola. "O investimento final da Frísia vai depender de quantos sócios conseguirmos e quanto cada um pretende aportar no projeto", conta Dykstra. Pelo menos R$ 100 milhões serão investidos em Tocantins, onde a Frísia espera ter crescimento mais acelerado, com a adesão de novos cooperados. A cooperativa pretende sair de uma área plantada de 40 mil hectares para 72 mil hectares em Tocantins até 2030. A cooperativa tem atualmente 139 associados em Tocantins. No Paraná são 938, com uma área de cultivo em torno de 158 mil hectares.
Até 2030 a Frísia
pretende dobrar sua receita
para R$ 13 bilhões
As cooperativas agropecuárias Cotrijal, com sede em Não-Me-Toque (RS), Cotripal, de Panambi (RS) e Cotrisal, de Sarandi (RS), anunciaram neste ano a construção de uma nova indústria para processamento de soja, com planta para produção de biodiesel e capacidade para processar 3 mil toneladas de soja por dia. No total, o volume anual de processamento deve chegar a cerca de 1 milhão de toneladas do grão. Batizada de Soli3, a intercooperação tem um faturamento projetado de R$ 2,2 bilhões por ano e a operação deve iniciar em 2028. As cooperativas buscarão recursos junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em linhas específicas que oferecem incentivos para projetos de inovação e transformação. "A intercooperação é tanto uma realidade quanto uma necessidade. Com a união de três cooperativas, podemos aumentar significativamente nosso volume de produção, adquirir insumos em maior escala e negociar melhores preços. Isso nos permitirá comercializar nossos produtos com maior valor agregado, contribuindo para o desenvolvimento regional. Esse passo inicial pode impulsionar a criação de um parque industrial, abrindo caminho para novas oportunidades de industrialização na cadeia produtiva", projeta Nei César Manica, presidente da Cotrijal. A cooperativa atende atualmente mais de 17 mil associados em 53 municípios gaúchos, promovendo iniciativas que incentivam a permanência no campo e o fortalecimento das atividades agropecuárias.
A Coamo está realizando um dos robusto ciclo de investimentos, com aplicações que superam R$ 3,7 bilhões em modernização, expansão industrial e ingresso no setor de biocombustíveis No último ano, a Coamo investiu R$ 1,2 bilhão na ampliação e modernização de entrepostos, Unidades de Beneficiamento de Sementes (UBS), indústrias e áreas de apoio, incluindo a conclusão da indústria de rações e o início da construção do novo entreposto em Campina da Lagoa, no Paraná. Em agosto de 2025, os associados aprovaram mais R$ 850,9 milhões para modernizar estruturas de recebimento, beneficiamento, armazenagem e expedição de produtos agrícolas, além de melhorias em sistemas de transporte, tecnologia e segurança. Segundo o presidente executivo da Coamo, Airton Galinari, os investimentos representam a continuidade de uma estratégia histórica da cooperativa. "Os cooperados são testemunhas de que desde a fundação da Coamo investimos em infraestrutura no sentido de agregar valor à produção dos cooperados", observa. Ele destaca que os desafios logísticos enfrentados em 2024, como dificuldades para armazenar toda a produção, reforçaram a necessidade de ampliar e modernizar a infraestrutura.
Além disso, dois projetos estratégicos marcam a entrada da maior cooperativa paranaense no setor de biocombustíveis. Na unidade de Paranaguá, será implantada uma fábrica de biodiesel com capacidade para 600 toneladas por dia, utilizando o óleo bruto de soja já produzido no local. O maior investimento individual, no entanto, é a construção da usina de etanol de milho, com aplicação de R$ 1,7 bilhão. Depois de pronta, terá capacidade para processar 1,7 mil toneladas de milho diariamente e produzir 765 mil litros de combustível. A cooperativa recebe anualmente 3 milhões de toneladas de milho, das quais 600 mil toneladas serão destinadas à produção de biocombustíveis. O complexo terá capacidade para processar 1.700 toneladas de milho por dia e produzir 765 mil litros de etanol a cada 24 horas. As operações devem iniciar no segundo semestre de 2026. Além disso, o projeto vai garantir a produção diária de 510 toneladas de farelo para nutrição animal (DDGS) e 34 toneladas de óleo de milho, produtos gerados após a fermentação. O DDGS é um farelo rico em fibras e proteínas, utilizado na alimentação animal, enquanto o óleo de milho pode ser destinado à produção de biodiesel.
"Os cooperados são testemunhas de que desde a fundação da Coamo investimos em infraestruturas no sentido de agregar valor à produção"
AIRTON GALINARI
Presidente da Coamo
Em Santa Catarina, a Cooperativa Agroindustrial Alfa (Cooperalfa), também investe na transição energética no setor. O projeto mais emblemático é a implantação da usina de biodiesel na Linha Tomazelli, em Chapecó. A obra terá investimento direto de R$ 230 milhões e previsão de conclusão em outubro de 2026. A usina terá capacidade para produzir 1.150 metros cúbicos de biodiesel por dia — o equivalente a 414 mil metros cúbicos por ano — a partir do processamento de soja já realizado pela indústria existente da Alfa, que atualmente esmaga 2,4 mil toneladas por dia. A expectativa é de que o empreendimento gere, já na primeira fase de operação, R$ 115,5 milhões ao ano em ICMS para o estado, mesmo operando com a metade da capacidade instalada.
O projeto integra a ampliação da planta esmagadora de soja em Chapecó que receberá financiamento do BNDES de R$ 355,6 milhões para atender ao novo parque industrial e à unidade de biodiesel. A usina deverá criar 110 empregos diretos e mobilizar cerca de 300 trabalhadores terceirizados na instalação, além de dinamizar toda a cadeia de insumos, transporte e logística regional. A Cooperalfa estima também forte contribuição ambiental: o projeto pode evitar 802,9 mil toneladas de CO2-equivalente em emissões, reforçando seu papel na redução da pegada de carbono do agronegócio. A maior parte da soja processada será fornecida por cooperados. A integração entre esmagamento e produção de biodiesel eleva o grau de industrialização do grão, agregando valor à produção local e ampliando renda para os associados. Paralelamente ao polo industrial em Chapecó, a Cooperalfa tem avançado em capilaridade: em setembro de 2025 adquiriu sua primeira unidade de recebimento de grãos em Içara e desde 2024 mantém loja agropecuária no município.
Este conteúdo é a parte 5 do especial "A Força do Sul — Cooperativismo"
Em 2025, Ano Internacional das Cooperativas (ONU), o anuário 500 MAIORES DO SUL publicou um ranking especial do cooperativismo, que abrange os setores de produção, saúde e crédito, reconhecendo seu impacto nas comunidades. O ranking é publicado pelo Grupo AMANHÃ com o apoio técnico da PwC Brasil. Leia o anuário digital completo clicando neste link.
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