Exportações de vinhos brasileiros avançam 23,7% no semestre
As exportações brasileiras de vinhos e espumantes cresceram 23,7% no primeiro semestre de 2026, consolidando a expansão da vitivinicultura nacional no mercado internacional. Entre janeiro e junho, os embarques movimentaram US$ 6,7 milhões, ante US$ 5,4 milhões no mesmo período de 2025. Os produtos brasileiros chegaram a 79 países, número 20,4% superior ao registrado um ano antes. O resultado reflete uma estratégia de internacionalização construída nos últimos anos, baseada na diversificação de mercados, na promoção comercial e no fortalecimento da imagem do vinho brasileiro. As ações são conduzidas pelo Wines of Brazil, projeto setorial do Conselho de Planejamento e Gestão da Cadeia Produtiva da Uva, do Vinho e Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Para o gerente de promoção para mercado externo do Consevitis-RS, Rafael Romagna, o desempenho confirma a efetividade de um trabalho contínuo. "A presença em feiras internacionais, rodadas de negócios, ações com compradores e formadores de opinião, aliada ao amadurecimento das estratégias comerciais das empresas, tem ampliado a visibilidade e a competitividade dos vinhos brasileiros no exterior." Segundo ele, a expansão dos destinos também é relevante por reduzir a dependência de poucos mercados e tornar o setor mais preparado para oscilações econômicas e geopolíticas. O movimento reforça, ainda, o posicionamento do Brasil como produtor de vinhos de qualidade e com identidade própria.
Vinhos ganham força além dos espumantes
Os espumantes permanecem como uma das principais referências brasileiras no exterior, mas os números do semestre apontam uma mudança importante. As exportações de vinhos cresceram 24,6% em valor, alcançando US$ 5,6 milhões. Já os espumantes avançaram 19,5%, para US$ 1,1 milhão. Para Romagna, o desempenho revela que o reconhecimento internacional conquistado pelos espumantes começa a se estender às demais categorias. "Os vinhos brasileiros vêm conquistando cada vez mais espaço no mercado internacional, complementando um movimento já consolidado dos espumantes. Observamos uma ampliação do reconhecimento da qualidade dos produtos brasileiros", destaca.
A expansão ocorre em um cenário de mudanças nas preferências do consumidor internacional. Importadores e compradores buscam cada vez mais produtos com origem definida, autenticidade e capacidade de transmitir a história de seus territórios. Nesse contexto, a diversidade brasileira tornou-se um ativo comercial. "O consumidor internacional demonstra interesse por vinhos que contenham histórias, expressem seus territórios de origem e ofereçam uma identidade própria. É justamente nesse cenário que o vinho brasileiro tem conseguido se destacar", afirma Romagna. O país reúne três modelos distintos de vitivinicultura: a produção de regiões tradicionais, os vinhos de inverno e os vinhos tropicais. Essa variedade permite atender diferentes perfis de consumidores e reforça a imagem do Brasil como um produtor inovador. Outro diferencial está na reputação internacional dos espumantes, fortalecida pela criação da primeira Denominação de Origem específica para espumantes do Hemisfério Sul.
A estratégia de internacionalização combina o fortalecimento de destinos já consolidados com a prospecção de novos compradores. O objetivo é ampliar o alcance dos produtos brasileiros e, ao mesmo tempo, reduzir os riscos associados à concentração das vendas externas. A Rússia é um dos mercados que passaram a receber atenção especial. Segundo Romagna, o Wines of Brazil identificou uma oportunidade comercial e intensificou a busca por compradores no país. Para os próximos anos, Estados Unidos, China, Reino Unido, México e Paraguai estão entre os mercados prioritários. Japão, Emirados Árabes Unidos e Rússia também permanecem no radar do projeto.
Veja mais notícias sobre BrasilSul for ExportEconomia.
Comentários: