South Summit destaca inovação, captação e investimentos em IA
A quinta edição do South Summit Brazil segue até sexta-feira (27) no Cais Mauá, em Porto Alegre, reunindo cerca de 23 mil participantes ao longo de três dias. O foco da programação está na construção de negócios inovadores, expansão de conexões, captação de recursos e fortalecimento do ecossistema de inovação voltado para uma nova economia. O evento agrega palestras, painéis, competições de startups e promove o encontro entre empreendedores, investidores e executivos interessados em novas oportunidades e parcerias.
No painel "Captação inteligente: o que os fundadores precisam saber antes de buscar recursos", realizado nesta quinta-feira (26), participaram os especialistas Eduardo Zilberberg, cofundador e sócio da BZCP; Chi‑Yu Tsai, cofundador e CEO da Stay; Rafael Bagolin, fundador e CEO da Jusfy; com moderação de José Pedro Cacheado, sócio da Norte Ventures. O debate abordou as diferenças entre estágios de rodadas de captação: nas etapas iniciais, investidores costumam apostar no fundador; em séries mais avançadas, métricas de negócio e tração ganham prioridade. Para os especialistas, além da técnica, captação é uma combinação de arte e ciência.
Os protocolos e preparação aumentam as chances, enquanto narrativa, credibilidade e networking são determinantes para o sucesso. "A captação começa muito antes da primeira reunião com investidores", alerta Zilberberg, destacando a importância de manter investidores informados e de mapear o fit por tamanho de cheque e tese. Tsai ressaltou que times fortes inspiram confiança, mesmo quando a tese ainda não está totalmente definida. Adaptabilidade e execução são fatores tão decisivos quanto a ideia inicial para conquistar investidores. Os fundadores compartilharam experiências práticas, enfatizando a importância de criar competição entre fundos e não depender de um único investidor. "Não pare de falar com todo mundo; não feche sem competição", aconselhou Bagolin, alertando que confiar apenas em uma promessa pode limitar oportunidades e o poder de negociação.
Investir na América Latina exige estratégias locais diante da volatilidade macroeconômica, da fragmentação regulatória e da heterogeneidade dos mercados, afirmaram investidores no painel "Investir na América Latina: complexidade local, oportunidade global", no evento. Participaram Gabriel Marcassa, parceiro da Capital Volpe; Carlos Renato Moreno de Almeida, diretor‑sênior de investimentos do IFC; Gustavo Pinheiro, executivo da Riverwood Capital; e Igor Piquet, diretor‑gerente da Catalisador de Empreendimentos. Eles defenderam que investidores comprometidos de longo prazo têm vantagem sobre o chamado "capital turista", que entra e sai conforme os ciclos. "O maior erro é entrar na alta e sair na baixa; comprometimento com a região é diferencial", disse Piquet. Os especialistas enfatizaram a necessidade de fundadores com ambição, profundo conhecimento do problema local e capacidade de adaptação.
Em painel sobre o impacto da inteligência artificial na economia dos criadores, especialistas traçaram um panorama em que ferramentas automatizadas ampliam possibilidades criativas, reduzem custos e levantam novos dilemas sobre autoria e confiança. "A inteligência artificial surgiu para escalar, para ajudar o criador no dia a dia", disse Ricardo Silvestre, CEO da Influência Negra. Para ele, porém, "identidade, cultura — isso é o que diferencia um conteúdo de outro." Guilherme Schwartsmann, diretor de estratégia da Carrossel Celeste, acrescentou: "A IA vem para democratizar acessos", pois corta custos de produção e permite projetos complexos em equipamentos simples. O debate ressaltou que o Brasil já tem mais de 20 milhões de criadores de conteúdo, o que amplia tanto as oportunidades de inclusão quanto os riscos de clonagem de vozes e perda de autoria. Entretanto os especialistas destacaram que a IA será mais benéfica quando usada para amplificar vozes reais, com transparência sobre processos e preservação de identidade cultural.
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