Complexo Náutico de Guaratuba marca nova era do litoral do PR com investimento de R$ 100 milhões
A entrega da ponte sobre a Baía de Guaratuba, prevista para o dia 29 de abril, abre caminho para a recuperação ambiental e a remodelação da área hoje ocupada pelo canteiro de obras e pela área de embarque e desembarque dos ferry boats que transportam pessoas e veículos. As duas margens da baía abrigarão uma estrutura de serviços e comércio que compõem o futuro Complexo Náutico de Guaratuba. Estudos de viabilidade técnico operacional, econômico financeiro e jurídico institucional do empreendimento foram apresentados ao governo estadual e aguardam as próximas etapas do processo. Após a análise, deve ser realizada audiência pública e posterior deflagração do processo licitatório para concessão pública do Complexo Náutico de Guaratuba.
O projeto assinado pelas empresas Gaissler Moreira Engenharia e Planos Engenharia contempla cerca de 33 mil metros quadrados que irão receber investimentos em espaços públicos de convivência, comércio e serviços, além da construção da Marina Guaratuba com capacidade superior a 600 embarcações, consolidando o local como referência no turismo náutico do Sul do Brasil. A proposta também contempla a implantação de um posto náutico de combustíveis e de soluções tecnológicas inéditas no país, como a adoção de ponte rolante automatizada para a movimentação dos barcos. O projeto revitaliza uma área atualmente degradada, apresentando uma das transformações urbanas e ambientais mais significativas do litoral paranaense. Além de prevenir a ocupação irregular do local, o modelo proposto prioriza lazer e desenvolvimento econômico para a região, ao permitir que moradores e turistas disponham de uma infraestrutura moderna e diversificada.
Boulevard com lojas e restaurantes
O estudo apresentado pela Gaissler Moreira Engenharia e Planos Engenharia destina uma área de aproximadamente 7 mil metros quadrados, nas margens da baía de Guaratuba, a um boulevard comercial aberto ao público, com lojas e opções gastronômicas, além de estacionamento e áreas de lazer e convivência, como ciclovia e playground. Ainda estão previstos um heliponto e infraestrutura de apoio ao turismo. Na margem oposta o projeto prevê a criação de um espaço totalmente público, com rampa náutica gratuita, área de pesca revitalizada e infraestrutura para facilitar o acesso da população às atividades náuticas.
A estimativa é de que o Complexo Náutico de Guaratuba, como é chamado o projeto completo, gere mais de 500 empregos diretos na fase operacional, além de centenas de oportunidades diretas e indiretas ao longo da construção e da operação dos equipamentos. "Esse projeto representa uma oportunidade de transformar um passivo urbano em um ativo estratégico, criando um novo polo de atração turística e impulsionando setores como hotelaria, gastronomia, comércio e serviços", destaca Fernando Afonso Gaissler Moreira, CEO da Gaissler Moreira Engenharia.
As empresas foram autorizadas pelo governo paranaense dentro do procedimento de manifestação de interesse coordenado pela secretaria de planejamento e pelo programa Paraná Parcerias. O investimento estimado gira em torno de R$ 100 milhões e será feito com recursos próprios da concessionária que vencer a licitação. O projeto prevê três anos para a obtenção das licenças, autorização e obras da Fase 1. Após cinco anos de operação pela concessionária está previsto o início das obras da Fase 2, com cronograma estimado de um ano, isso sem que ocorra qualquer paralisação das atividades do Complexo Náutico. O mesmo ciclo se repete após um novo período de cinco anos de operação, finalizando dessa forma a Fase 3. "Inicialmente, a área poderá ser explorada pelo prazo de 35 anos, sendo três anos previstos para fase de licenciamentos, autorizações e obras, e mais 32 anos de concessão", detalha Moreira.
Sustentabilidade ambiental e econômica
Um dos pilares do estudo da Gaissler Moreira Engenharia e da Planos Engenharia é a sustentabilidade. A proposta inclui monitoramento ambiental contínuo e busca pela certificação internacional Bandeira Azul (Blue Flag), um selo de qualidade em gestão costeira e educação ambiental. Para a Gaissler Moreira Engenharia, que possui mais de 400 obras executadas no estado, em seus mais de 30 anos de existência e trajetória consolidada em projetos de grande porte, o Complexo Náutico de Guaratuba representa a união de expertise técnica com uma oportunidade de impacto social e regional. "Participar do desenvolvimento desse projeto é aplicar nossa experiência com infraestrutura em um projeto que vai muito além da engenharia. Estamos falando de recuperar uma área hoje degradada, criar um novo eixo econômico para o litoral e elevar o padrão da operação náutica no Brasil, além de um novo ponto turístico de Guaratuba e de todo litoral paranaense", afirma o CEO.
Segundo ele, o consórcio apresenta um estudo sólido, inovador e alinhado ao modelo de desenvolvimento que o estado projeta para a região. "O estudo buscou unir sustentabilidade, tecnologia e viabilidade econômica. Nosso objetivo foi entregar ao Paraná um projeto responsável, moderno e preparado para o futuro do Litoral", reforça Moreira. O executivo destaca ainda a capacidade técnica das empresas para conduzir um projeto dessa complexidade. "A Gaissler é responsável por intervenções estratégicas no estado, como a pavimentação entre os municípios de Doutor Ulysses e Cerro Azul, as obras da Cidade Industrial de Londrina e mais 400 quilômetros de conservação nas rodovias estaduais, entre outras entregas que exigiram logística robusta e engenharia especializada", lista ele.
O avanço do projeto para o Complexo Náutico de Guaratuba integra o ciclo expressivo de investimentos públicos e privados feitos no Litoral do Paraná. Mais de R$ 2 bilhões estão sendo aplicados em obras estruturantes como a nova ponte de Guaratuba, revitalização das orlas, duplicações viárias, obras de saneamento, intervenções de mobilidade, aeródromo de Guaratuba e melhorias em equipamentos turísticos. Paralelamente, o mercado imobiliário registra forte valorização: são 37 prédios em construção em Guaratuba, e imóveis de alto padrão já acumulam crescimento superior a 40%, segundo a Associação de Corretores de Guaratuba (Associg).
A demanda por infraestrutura náutica segue a mesma tendência — todas as marinas atuais operam no limite, e cidades vizinhas, Pontal do Sul, Antonina, São Francisco do Sul e Itajaí, ampliam suas estruturas para atender a demanda crescente. O litoral do Paraná já é um destino consolidado no mapa turístico do Brasil, reconhecido por suas paisagens naturais, gastronomia e diversidade de atrativos. Agora, o foco se volta para um conjunto de projetos estruturantes que vão além de obras tradicionais, integrando conectividade aérea, turismo náutico, preservação ambiental e planejamento tecnológico de fluxo de visitantes.
Esses projetos respondem a demandas históricas da região e abrem espaço para novos modelos de desenvolvimento, que valorizam o turismo, ampliam a conectividade e protegem os recursos naturais que tornam o litoral paranaense singular. "Em conjunto, os projetos sinalizam uma mudança na estratégia de desenvolvimento do litoral paranaense, que passa a priorizar obras estruturantes associadas à gestão ambiental e ao ordenamento do turismo. A proposta é evitar crescimento desordenado, ampliar a capacidade de atendimento ao visitante e garantir que a expansão da atividade turística ocorra de forma compatível com a preservação dos ecossistemas costeiros", observa Moreira.
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