Busca por alternativas à BR-101 marca debate promovido pela CNT em SC

Encontro traçou panorama das principais questões enfrentadas pelos transportadores catarinenses
Pela BR-101 escoam 68% do PIB catarinense, o equivalente a US$ 38,6 bilhões, entre exportações e importações

A unidade operacional do SEST SENAT de Joinville recebeu, na quinta-feira (7), o Fórum CNT de Debates – Edição Regional – Santa Catarina. O evento, realizado em parceria com a Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc) reuniu autoridades, especialistas e empresários. O fórum já passou por cidades como Vitória (ES) e Natal (RN). Os números da última edição da Pesquisa CNT de Rodovias, apresentados pelo diretor executivo da CNT, Bruno Batista, revelaram que é necessário dar continuidade aos investimentos em infraestrutura rodoviária no estado para, em um primeiro momento, recuperar as rodovias, com ações emergenciais de restauração, reconstrução e manutenção. Entre os convidados locais, porém, não restou dúvida que os desafios estão concentrados na BR-101 Norte, que é rota turística e liga Santa Catarina ao resto do país. Por ela escoam 68% do PIB catarinense, o equivalente a US$ 38,6 bilhões, entre exportações e importações. Porém ela atingiu o limite de sua capacidade e, hoje, é lenta e perigosa, sendo que os principais gargalos ocorrem nos trechos entre Joinville, Penha, Navegantes, Itajaí, Balneário Camboriú, Itapema, Biguaçu, São José e Palhoça.

"Percebam como isso traz um impacto negativo para a imagem do transporte de passageiros", reforçou Felipe Busnardo Gulin, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros dos Estados do Paraná e Santa Catarina (Fepasc). Segundo ele, tão importante quanto renovar a frota é o investimento em infraestrutura. Na primeira etapa do fórum também debateram o prefeito de Joinville, Adriano Silva, que enfatizou o papel da livre iniciativa no desenvolvimento do município; e o deputado estadual Antídio Lunelli, presidente da comissão de transportes e desenvolvimento urbano na Alesc, que expôs a preponderância excessiva do modal rodoviário na matriz do estado e lembrou que o roubo de cargas é outra queixa reincidente na região. A nota de otimismo veio de Jerry Comper, secretário de infraestrutura e mobilidade de Santa Catarina, representando o governador Jorginho Mello; e de Alysson de Andrade, superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) em Santa Catarina. Ambos noticiaram obras que estão em andamento ou estão previstas e que podem amenizar as mazelas atuais.

Biodiesel
Durante o evento, também foi discutido o impacto para a atividade transportadora da mistura do biodiesel de base éster ao diesel fóssil. O teor da mistura, que era de 10% em 2022, hoje é de 14%, em atendimento à resolução do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética). A política foi implementada como parte da estratégia nacional de transição energética. Na prática das empresas, porém, a mudança na composição tem se revelado prejudicial. Com participação de Felipe Busnardo no papel de debatedor, a mesa foi mediada por Ari Rabaiolli, que é presidente da Badesc (Agência de Fomento do Estado de Santa Catarina) e ex-presidente da Fetrancesc e do Conselho Regional do SEST SENAT de Santa Catarina. O debate foi antecedido por exposição do diretor executivo da CNT, Bruno Batista. Foram exibidos números da Sondagem CNT sobre o biodiesel brasileiro, na qual se colheram informações de 710 empresários do setor de transporte. Entre os entrevistados, 60,3% relataram a incidência de problemas mecânicos relacionados ao teor da mistura. As principais ocorrências dizem respeito ao aumento da frequência de troca de filtros (82,7%) e a falhas no sistema de injeção (77,1%). Como resultado, foi percebido um aumento nos custos com a manutenção dos veículos.

No fórum também foi apresentado um estudo encomendado pelo Sistema Transporte à Universidade de Brasília (UnB). Os pesquisadores tomaram como base a performance de dois caminhões, um Ford Cargo 815 (fase P5) e um Mercedes-Benz Accelo 815 (fase P7). Quando abastecidos com diesel B20 (20% de biodiesel na mistura), em comparação com o B7, os motores sofreram perda de potência de até 10% e perda de torque de até 2,5%, sob a mesma rotação. Quando se adotou diesel B20, ambos os veículos emitiram monóxido de carbono com valores acima dos limites estabelecidos pelo Proconve. "Como os senhores veem, chegamos a um desequilíbrio. O Programa, que foi pensado para descarbonizar, está aumentando as emissões", alertou Batista. "Diante disso, a CNT defende condicionar os acréscimos a testes; aprimorar as especificações do biodiesel utilizado no Brasil; implementar medidas de controle de qualidade; e sempre considerar o setor de transporte nas políticas públicas", concluiu, lembrando que já existe uma alternativa ao biodiesel, o HVO, que também é produzido a partir de biomassa, mas sem contraindicações em seu uso.

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Terça, 25 Junho 2024

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