Taxa de inovação da indústria cai pelo terceiro ano consecutivo
De acordo com Flávio Peixoto, analista da pesquisa, em 2024 a taxa de inovação ficou estável em comparação com 2023 e as grandes empresas continuaram sendo relativamente mais inovadoras. "Fatores como o câmbio e a formação bruta de capital fixo (investimento) influenciam na taxa, mas a inovação em si é um fenômeno dinâmico que às vezes precisa de um prazo de maturação longo. Então, temos um momento em que um grande percentual de empresas são inovadoras e, no ano seguinte, elas não deixam necessariamente de ser ativas em inovação, apenas não introduziram um produto ou processo de inovação naquele ano, mas continuam ativas em inovação", explica.
Os dados divulgados nesta quinta-feira (19) pelo IBGE são da Pesquisa de Inovação (PINTEC) Semestral 2024: Indicadores Básicos, levantamento realizado em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Os setores mais inovadores em produto e/ou processo de negócios em 2024 foram:
- Fabricação de produtos químicos (84,5%)
- Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (82,1%)
- Fabricação de móveis (77,1%)
- Fabricação de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (76,8%)
- Fabricação de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (76,6%).
No detalhamento por tipo de inovação implementada, em 2024, 32,7% das empresas inovaram tanto em produto quanto em processo de negócios; 12,5% inovaram apenas em produto e 19,2% inovaram apenas em processo de negócios, único segmento que cresceu ante 2023, com acréscimo de 2,6 pontos percentuais. A PINTEC Semestral também mostrou que as taxas de inovação continuam proporcionais ao tamanho das empresas, considerando as faixas de pessoal ocupado. As empresas de menor porte (de 100 a 249 pessoas ocupadas) tiveram taxa de inovação (59,8%) menor do que a observada na faixa de 250 a 499 pessoas ocupadas (65,7%) que, por sua vez, foi menor do que a das empresas com 500 ou mais pessoas ocupadas (75,4%).
Inovações em processo de negócios aumentaram
As empresas foram mais inovadoras em processo de negócios (51,9%) do que em produto (45,2%). "Sempre a inovação em processo de negócios é maior do que a de produto. Os processos de negócio são mais amplos, indo desde os de produção em si, de transformação de insumos em produtos, até a parte de gestão, que inclui contabilidade, administração, gestão de pessoal, marketing e uso de TI", esclarece Peixoto.
Em 2024, cresceu o número de empresas que introduziram um processo de negócio novo ou aprimorado (51,9%), percentual maior que o observado em 2023 (51%). A principal categoria de inovação em negócios foi métodos de organização do trabalho, de tomada de decisão ou de gestão de recursos humanos, com taxa de inovação de 31,8%, em 2024, correspondendo a um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a 2023. Já a categoria métodos para processamento de informação ou comunicação registraram o maior aumento relativo na proporção de empresas inovadoras, com acréscimo de 1,7 pontos percentuais em relação a 2023.
Inovações em produto atingem menor patamar da série
Em relação às empresas que inovaram em produto, a pesquisa mostra que quase metade (45,2%) delas introduziram um produto novo ou substancialmente aprimorado em 2024, o menor percentual observado desde 2021 (50,5%). Segundo Flávio, historicamente o produto é mais suscetível aos impactos negativos, por isso é mais difícil inovar em produto do que em processo de negócios: "Um produto é mais complexo de se conceber que um processo, pois para um novo produto é preciso mudar características funcionais sobre seu uso, matérias primas, softwares. Além disso, o produto é mais afetado pela taxa de câmbio porque às vezes é mais barato importar produtos, o que desestimula a inovação. Produtos também exigem um conhecimento mais robusto, um aprendizado para se chegar a produtos tecnologicamente avançados", explica.
Quanto às inovações segundo o grau de novidade da principal inovação, 71,1% dos produtos foram novos apenas para a própria empresa, percentual superior ao observado em 2023 (68,0%). Em contrapartida, também houve aumento na proporção de produtos novos para o mercado mundial, que passou de 4,4% em 2023 para 4,9% em 2024. No mesmo período, a proporção de produtos novos para o mercado nacional sofreu uma queda de 27,6% para 24%.
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