Startups só terão vida longa com governança corporativa
O desejo de toda startup é entrar na mira dos investidores, receber aporte financeiro e com isso conseguir crescer e ganhar escala. Do outro lado, o mercado também está de olho nessas empresas, em busca de inovação e oportunidades. De acordo com a 22ª Pesquisa Global com CEOs da PwC (22st Annual Global CEO Survey), 57% dos executivos brasileiros pretendem trabalhar em parceria com empreendedores e startups em 2019. Nesse cenário, é extremamente importante que elas estejam, na medida do possível, preparadas para receber investimentos externos e também para se tornarem competitivas dentro dos mercados mais maduros.
Um dos pontos essenciais nesse processo é a governança corporativa. Engana-se quem ainda pensa que as ações de governança são voltadas somente para os grandes grupos. Práticas como a formação de um conselho consultivo e regras de hierarquia, por exemplo, são importantes também para empresas de médio e pequeno porte e, inclusive para organizações disruptivas como as startups, com níveis hierárquicos menos sedimentados.
O setor financeiro exemplifica bem esse cenário, como mostrou o estudo Fintech Deep Dive 2018, realizado pela PwC em parceria com a Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs). Apesar do crescimento e fortalecimento das fintechs nos últimos anos, as instituições financeiras tradicionais apresentam vantagens em relação aos novos players do setor, como: ambiente de controles maduros e altamente regulado e um sólido sistema de governança interna que lhes confere um atributo de confiança maior.
As práticas de governança ajudarão as startups a crescer de forma saudável, correndo menos riscos e com maior valor agregado. E devem estar presentes desde o início da sua idealização, período em que começa o relacionamento entre as partes envolvidas, até o momento de maior amadurecimento da empresa, quando ela se torna uma scale-up. Alinhar as expectativas dos fundadores, estabelecer regras para entrada e saída de sócios, estruturar ações de controle interno e formar conselhos são importantes passos para o negócio prosperar de forma consolidada, como apontou o estudo “Importância da Governança para as Startups” realizado pelo Instituto de Governança Corporativa (IBGC).
Vale analisar também que os principais motivos para o fechamento das startups no Brasil - dificuldade de acesso a capital (40%), obstáculos para entrar no mercado (16%) e divergências entre os sócios (12%), de acordo com levantamento realizado pelo Sebrae e pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – são pontos que podem ser aprimorados com a governança corporativa.
Qualidade da gestão, longevidade e ganho de valor certamente serão alguns dos resultados obtidos pelas startups que enxergarem na governança uma forte aliada ao seu crescimento.
*Carlos Peres é sócio da PwC Brasil e líder da região Sul
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