Red Bull, uma empresa de marketing
Na histórica ação Red Bull Building Drop, em setembro de 2025, o skatista Sandro Dias quebrou dois recordes mundiais após descer a rampa construída ao longo da fachada de 22 andares do prédio do Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF) em Porto Alegre. O "Mineirinho", como é conhecido, atingiu uma velocidade de 103 km/h, saindo de uma altura de 70 metros do chão e percorreu uma rampa de 60 metros. Mas, para quem é de capital, pouco importam esses números: descer a lateral do prédio do CAFF a bordo de um skate é a realização de um sonho coletivo da comunidade skatista local.
Para André D'Angelo, colunista do blog Sr. Consumidor, a Red Bull é uma das poucas empresas capazes de criar e executar um evento como este. Os motivos vão além de sua relação histórica com esportes e esportes radicais: a marca tem experiência em eventos do tipo, conta com um centro próprio de produção de mídia e, com isso, faz deste tipo de iniciativa o core da própria marca. "Talvez nenhuma outra companhia no mundo caiba tão bem na definição de que 'é uma empresa de marketing' que vende energéticos. Por acaso, energéticos; mas seu negócio central continua sendo branding, marketing", avalia.
De acordo com a diretora da Engaje Pesquisas, Juliana Hendges, após um período em que o digital dominou grande parte da comunicação, há um retorno de ações de live marketing. "As marcas perceberam que experiências ao vivo têm um poder que poucas outras ferramentas conseguem gerar: elas criam memória, emoção e histórias que as pessoas querem contar", declara.Além disso, esse tipo de ação costuma gerar grande repercussão orgânica, porque as pessoas gostam de compartilhar momentos únicos nas redes sociais. "Quando bem executado, o live marketing transforma consumidores em multiplicadores espontâneos da marca", observa a especialista. Por outro lado, também existem desafios importantes. A produção de eventos costuma ter custos elevados e o alcance físico é naturalmente limitado, já que apenas um número restrito de pessoas participa presencialmente. "Por isso, cada vez mais o sucesso dessas ações depende da capacidade de amplificação digital, transformando o evento em conteúdo que se espalhe e gere conversa muito além do espaço onde ele ocorreu", recomenda Juliana. E, para a Red Bull, essa é uma fórmula que tem dado certo.
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