Justiça mantém recuperação judicial e afasta falência da Teka
A 2ª Câmara de Direito Comercial do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) manteve, por unanimidade (3 votos a 0), a recuperação judicial da Teka, tradicional empresa têxtil que neste ano completou um século de atuação. O julgamento, realizado na terça-feira (9), reverte o decreto de falência proferido em primeira instância no ano passado, garantindo a continuidade das operações da companhia e a preservação de 1.781 empregos diretos. A sustentação do voto dos desembargadores baseou-se em provas técnicas, destacando-se uma auditoria independente realizada pela Grant Thornton, que atestou a viabilidade operacional e financeira da companhia. Para o CEO da Teka, Rogério Marques, a decisão do colegiado foi um reconhecimento técnico necessário. "O relator foi enfático, pois não se quebra uma empresa viável por leitura formal. É preciso prova consistente de inviabilidade. Essa prova nunca existiu, porque a Teka não é inviável", ressaltou.
Com a segurança jurídica conferida pela decisão que ainda cabe recurso, a Teka avança na execução do plano apresentado em dezembro de 2025. O foco, segundo a gestão, não é apenas a sobrevivência, mas a competitividade a longo prazo. "Não estamos remendando o passado, mas estamos reequipando a empresa para competir nessa próxima década e recuperar esse tempo perdido", afirma Marques. Parte dessa estratégia inclui um novo braço de inteligência logística, com um centro de distribuição no interior de São Paulo, permitindo entregas mais ágeis. Além disso, a empresa investiu R$ 37,5 milhões em modernização industrial, com mais de 90% dos novos equipamentos já em pleno funcionamento.
A Teka projeta superar R$ 550 milhões em faturamento neste ano, um salto de cerca de 15% em relação a 2025. O executivo explica que houve um redirecionamento estratégico necessário diante do cenário geopolítico global, que encareceu importações: "Faturamento de baixa qualidade não constrói empresa; consome caixa e distrai valor. Por isso, apostamos no hospitalar, em licitações e nas linhas profissionais, cujo crescimento é sustentável", explicou.
Sobre o endividamento, a empresa reforça que o passivo de R$ 3,5 bilhões não reflete a realidade econômica pós-renegociações. A estratégia de pagamento baseia-se em três pilares: a transação tributária federal com renegociação que visa reduzir a dívida em mais de 90%; direitos creditórios que superam o valor da dívida federal remanescente; e acordo trabalhista de R$ 70 milhões com 2.333 trabalhadores. O próximo passo da companhia é a convocação da assembleia geral de credores, prevista para as próximas semanas, para consolidar a aprovação do plano.
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