Unesp e China: 50 anos com muitas novidades
Quem trabalha nas áreas educacional e cultural com a China deve estar animado com o conjunto de iniciativas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em 2026, nos 50 anos de sua criação – aniversário que será comemorado em grande estilo de 13 a 15 de maio, com o "Fórum Unesp 50 anos", durante a 8ª Feira do Livro da Unesp, no Memorial da América Latina, na capital paulista. Será uma festa e tanto, que deverá contar inclusive com a participação do escritor Mo Yan, prêmio Nobel de Literatura, integrando uma delegação de escritores chineses.
A Unesp tem história com a China: é a primeira universidade brasileira a receber o Instituto Confúcio, há 18 anos, em parceria com a Universidade da província de Hubei, que é "irmã" do estado do Rio Grande do Sul. O trabalho do Instituto Confúcio na Unesp, na difusão do mandarim e da cultura chinesa, beneficiou dezenas de milhares de estudantes nesse período. Ano passado, em abril, o Instituto Confúcio na Unesp ofereceu o curso "China, 1839-2050: Das Guerras do Ópio a Maior Potência Tecnológica", ministrado por mim, e agora em março oferece o curso "China, 1980-2050: Das Reformas e Abertura a Maior Potência Tecnológica", com 18 horas de duração. Esse será online, atendendo à reivindicação de várias pessoas de outras cidades.
Outra boa notícia da Unesp em 2026, em relação ao conhecimento a respeito da China, é a oferta do curso de bacharelado em língua e cultura chinesa, oferecido no campus em Assis (SP), que formará profissionais para atuar em traduções e em relações comerciais internacionais. Metade do curso poderá ser feito na Universidade de Hubei. Registre-se a grande contribuição da Universidade de Hubei para esse curso acontecer: investirá US$ 300 mil por ano, para a implantação do curso, e custeará a estada dos estudantes que fizerem lá os dois últimos anos da formação. Para o professor Luís Paulino, diretor do Instituto Confúcio na Unesp, o novo curso consolida a trajetória da Unesp no relacionamento com a China.
Trajetória que foi reforçada em 12 de setembro do ano passado, no Instituto Confúcio da Unesp, com a criação da Rede dos Institutos Confúcio do Brasil, integrada por suas 14 unidades no país e 11 universidades parceiras, e que contou com a participação do diretor-geral do Centro de Cooperação de Língua e Educação do Ministério da Educação da China, Yu Yunfeng, a Fundação Internacional de Educação em Chinês, e a Associação Brasileira de Empresas Chinesas.
O mandarim nas universidades brasileiras
Com os bacharelados da Unesp e da Universidade de São Paulo (USP), mais o Instituto Confúcio em 14 universidades, e vários cursos particulares, o Brasil conta hoje com oferta de ensino de mandarim e cultura chinesa em escala impensável há 20 anos, quando realizamos a II Exposição do Brasil na China, em Beijing, e sofremos muito com a falta de intérpretes brasileiros de mandarim. E a oferta só tende a aumentar: em 2026, a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) deve colocar em funcionamento os cursos de licenciatura em língua chinesa, em Alagoinhas, e bacharelado em tradução para língua chinesa, em Salvador. A oferta das duas graduações vincula-se ao programa de formação de professores internacionais de língua chinesa, e ao programa Confúcio de estudos sobre a China, com bolsas de doutorado e apoio a intercâmbios acadêmicos.
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