Reincidência atinge 85,4% dos consumidores inadimplentes
Em maio de 2026, o Indicador de Reincidência de Pessoas Físicas, apurado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), revelou que, do total de negativações, 85,4% foram de devedores reincidentes. O dado refere-se a consumidores que já haviam aparecido no cadastro de inadimplentes nos últimos 12 meses. Dentro do universo de reincidentes de maio, a maior parte (65,9%) ainda não havia quitado pendências antigas e foi negativada novamente. Outros 19,4% haviam saído do cadastro de devedores nos últimos 12 meses, mas retornaram. Apenas 14,5% dos negativados no mês não tiveram restrições no CPF ao longo do último ano.
Os dados do indicador mostram que, nos últimos 12 meses encerrados em maio de 2026, houve um crescimento de 15,1% no número de devedores reincidentes na comparação com os 12 meses anteriores. Em média, após cerca de 2,4 meses do vencimento de uma dívida negativada, outra dívida já vence. "A alta reincidência reflete um cenário econômico ainda severo para o orçamento das famílias. A manutenção de taxas de juros elevadas no país encarece diretamente o custo do crédito e das dívidas atrasadas, criando um efeito bola de neve que neutraliza os esforços de quitação do consumidor. Mesmo aqueles que conseguem limpar o nome encontram extrema dificuldade para se manter fora da inadimplência", destaca José César da Costa, presidente da CNDL.
A análise do perfil dos devedores reincidentes em maio de 2026 aponta que a faixa etária de 30 a 39 anos continua sendo a mais representativa, com 25,4% do total. Quanto à participação por sexo, a distribuição se mantém equilibrada: 53,3% mulheres e 46,6% homens. Paralelamente, o Indicador de Recuperação de Crédito de Pessoas Físicas, que acompanha os consumidores que conseguiram sair dos cadastros de inadimplentes, registrou queda. Nos 12 meses encerrados em maio de 2026, houve uma redução de 0,3% no número de pessoas que limparam o nome, em comparação com o período anterior. A queda do indicador acumulado em 12 meses se concentrou na diminuição da recuperação de consumidores que levaram de 4 a 5 anos (‐10,5%) para efetuarem o pagamento de todas suas dívidas.
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