Judaísmo e literatura em Porto Alegre
A italiana Natália Ginzburg, a sul-africana Nadine Gordimer, o americano Bernard Malamud, o israelense Amós Oz, o ucraniano Bruno Schulz e o italiano Primo Levi são apenas alguns dos escritores contemplados no curso que começa nesta segunda-feira, 16, ministrado pela professora Leniza Kautz Menda, sob o título "Judaísmo e Literatura".
Autora do consagrado "Escritoras Israelenses de A a Z", publicado pela AzuCo, Leniza é a prova viva que o legado de Moacyr Scliar continua vivo na capital gaúcha. O curso é composto de seis módulos de quatro horas cada um e acontecerá no Centro Israelita Porto Alegrense. Três aspectos muito importantes precisam ser destacados aqui.
O primeiro é a singularidade da professora Leniza em pinçar os traços judaicos na literatura universal. Não importa quão longe ressoe o chamamento, lá estará ela atenta à sua paixão pelos livros e pelas vozes da diversidade dentro do judaísmo. A esse respeito, ela disse certa feita que sua mãe lhe inoculou essa paixão: com os livros, jamais estaria só.
O segundo é a didática apurada de quem tem longa rodagem no métier. Para ilustrar suas aulas, Leniza vai atrás de textos representativos de cada um dos autores em foco. Ela não se perde em digressões teóricas e em análises enfadonhas sobre a sintaxe. Mas não poupa esforços para esmiuçar a gramática do sentimento, do que a toca e move.
Tudo o que me chega de Porto Alegre hoje em dia, passei a ver com outros olhos. Uma amiga gaúcha que mora em São Paulo me fez um relato pungente sobre o forte impacto que tiveram na cidade a pandemia, seguida não muito depois pelas enchentes colossais que mobilizaram o Brasil. Portanto, a voz de Leniza reforça o vigor dessa resistência.
Para concluir, eu me lembro de quando fomos lançar "Escritoras Israelenses de A a Z" na companhia da autora e da escritora Marcia Dreizik. Chovia uma enormidade no dia e nós achamos que não haveria ninguém no auditório. Mas logo alguém veio me tranquilizar: "Para nós isso não é nada. Vai ficar cheio. Para que capa e galocha? É só encarar."
Não havia uma só cadeira vazia na noite da professora Leniza. Isso diz muito de Porto Alegre e muito dela.
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