Guararapes: Inovar sem perder as raízes
O case a seguir faz parte do livro "Paraná | Grandes Marcas — volume II", publicado pelo Instituto AMANHÃ.
Quando, em 1984, as mãos de Walderez Bertolin e de João Carlos Ribeiro Pedroso resolveram plantar a semente de uma pequena madeireira em Quilombo (SC), nasceu a Guararapes, que, poucos anos depois, se transformaria em uma fabricante de compensados, mudaria para Palmas (PR) e ganharia escala. "Os dois começaram do zero, do nada, e foram evoluindo", lembra Ricardo Pedroso, atual CEO da Guararapes. O gesto inaugural foi simples: 15 funcionários, lâminas cortadas à medida e a convicção de que o crescimento se constrói com trabalho, parceria e confiança. Diorgenes Bertolin, diretor industrial, recorda que o pai e João Carlos trabalhavam na floresta, onde cortavam a madeira, e depois vendiam os insumos na cidade. "Enquanto um dirigia um caminhãozinho, o outro lidava com o operacional no corte e no transporte das toras. Eles tiveram uma história muito diferente da nossa", ressalta.
Em 1988, a perda precoce de um dos fundadores foi um teste de sobrevivência institucional. Walderez Bertolin faleceu em um acidente de carro, quando retornava de uma viagem ao Mato Grosso, onde adquiriu lâminas utilizadas na produção. A resposta veio em forma de união familiar na condução da empresa e na busca pelo crescimento contínuo. A travessia para o mercado internacional começou no ano seguinte, quando a primeira carga de compensados partiu para Porto Rico. Era o fruto de noites de revisão obsessiva de chapas e decisões tomadas com a serenidade de quem sabe que o sucesso se conquista com trabalho.O propulsor da Guararapes foi enxergar as dificuldades como oportunidades de crescimento e manter a determinação vinda de seus fundadores entre as bases do negócio. "Na década de 1990, por exemplo, nosso sócio e diretor de exportação, José Carlos Januário, telefonava para as embaixadas e consulados de diversos países europeus para apresentar a empresa e buscar potenciais compradores, viajando para encontrá-los pessoalmente", recorda João Carlos Ribeiro Pedroso, hoje presidente do conselho e guardião da memória da companhia. "As oportunidades vêm dessa nossa cultura de sempre investir em novos mercados, em tecnologias, em sustentabilidade e, principalmente, nas pessoas, focando na produção e entrega de produtos de qualidade ímpar, reconhecida pelo mercado", destaca. Décadas mais tarde, essa mesma persistência levou a empresa ao patamar de segundo maior exportador de compensados do país, com uma produção de até 380 mil metros cúbicos ao ano. A mentalidade de buscar mercados e experimentar, aliada à disciplina de reinvestir lucros em maquinário e processos, criou uma trajetória de resiliência. A Guararapes soube transformar oscilações do mercado interno em motivação para ampliar seu portfólio, especialmente com a entrada no segmento de MDF.
Inovação que se planta e se fabrica
A linha 3 viabilizou produtos que sinalizam o futuro do setor: painéis RUC (resistentes a umidade e cupim), G-Door (substituto de enchimento para portas), MDF Leve & Ultraleve, HDF SuperCore, MegaMDF (com 5 metros, único no país) e MultiRipas. Tecnologias de superfície, como a NanoxClean®, que inativa vírus e fungos, e a linha Áris, resistente a riscos e UV, mostram que a Guararapes não só responde às tendências: antecipa necessidades de saúde, durabilidade e estética. A aposta em design rendeu também reconhecimento internacional, com dois prêmios iF Design (2022 e 2023).A expansão produtiva e os investimentos em inovação renderam importantes posicionamentos, através da conquista de certificações de acesso a mercados como os Estados Unidos e a União Europeia, ampliação de portfólio e reconhecimento em premiações internacionais.
Floresta, ciclo e pessoas
A trajetória da Guararapes também é marcada pela força das pessoas que a constroem todos os dias. A empresa é grande empregadora em Palmas, Santa Cecília e Caçador. Muitos colaboradores têm décadas de casa, sinal claro de relações construídas pela confiança. A certificação ISO 45001 é testemunho do investimento em saúde e segurança ocupacional. Projetos de inclusão e capacitação ampliam a presença feminina em funções antes quase exclusivas a homens, enquanto investimentos em saúde, educação e esporte se distribuem nas comunidades locais. "Ao longo dos anos, a Guararapes não apenas prosperou no mundo dos negócios, como também compartilhou a prosperidade, cultivando um legado de responsabilidade social, apoiando comunidades locais, protegendo o meio ambiente e promovendo o bem-estar de todos os seus stakeholders", destaca João Carlos.Veja mais notícias sobre Paraná Grandes Marcas - Volume 2Negócios do SulParaná.
Comentários: