Chaves na Mão: Do outdoor ao digital
O case a seguir faz parte do livro "Paraná | Grandes Marcas — volume II", publicado pelo Instituto AMANHÃ.
Nos anos 2010, o mercado da tecnologia foi marcado por um modelo de negócio que surgiu para facilitar a vida das pessoas. Plataformas digitais tornaram-se intermediárias de ações cotidianas, como serviços de transporte e de entrega de comida. Mas, em Curitiba, um empresário viu nessa nova modalidade uma forma de realizar sonhos.
O Chaves na Mão nasceu em 2013, na capital paranaense, para ocupar um vazio prático do mercado brasileiro: a ausência de um canal digital que permitisse a qualquer pessoa anunciar imóveis e veículos com simplicidade e rapidez. "Eu tentei vender um imóvel na internet e não consegui porque os portais não aceitavam pessoa física", lembra Flávio Bittencourt, CEO do Chaves na Mão. A frustração foi o ponto de partida para um projeto que nascia do cotidiano.
Flávio havia construído carreira no mercado de mídia exterior, fundando e liderando uma empresa de mídia exterior. Ao longo dessa trajetória, atendeu diversos clientes do setor imobiliário e automotivo, conheceu dores e rotinas desses anunciantes. Essa vivência deu a ele não só o insight, mas a confiança para criar um portal diferente, simples de usar e focado nos dois bens mais desejados pelo brasileiro: casa e carro.
Os primeiros anos foram de validação e resistência. "Passamos dez anos operando no vermelho", confessa. Mesmo assim, a migração da carteira de clientes da antiga empresa de publicidade para o ambiente digital, as primeiras vendas pagas e a manutenção de um produto funcional foram suficientes para provar que havia demanda. No início da empresa, em vez de disputar a guerra do tráfego com grandes concorrentes que gastavam fortunas em mídia paga, o Chaves na Mão escolheu um caminho distinto: apostar na otimização para mecanismos de busca. "Não vencemos com dinheiro, vencemos com inteligência", afirma o fundador.
A estratégia envolveu criar conteúdo próprio, fortalecer conexões, organizar melhor as informações para serem encontradas online, melhorar o desempenho do site e garantir que milhões de páginas fossem facilmente acessadas. Essa combinação gerou crescimento orgânico sustentável e permitiu competir em pé de igualdade. Hoje, a empresa atua fortemente em mídia paga, inclusive como um dos principais investidores do setor. Porém, foi a escolha consciente, lá atrás, de não competir nessa arena que viabilizou a construção de uma base robusta e sustentável para escalar com solidez.
Transformando o clique em chave
Mais do que um catálogo, o Chaves na Mão se estabeleceu como um facilitador. "Não somos um marketplace que assume a negociação. Somos o elo que conecta pessoas e anunciantes, por isso a clareza das informações é essencial", afirma Flávio. A plataforma concentra milhares de ofertas de imóveis para venda e locação, veículos novos e usados, além de uma gama de categorias. Os anúncios são publicados por imobiliárias, corretores, construtoras, incorporadoras, lojistas de carros, revendedoras e proprietários, formando um inventário que privilegia variedade e profundidade. Esse volume transforma a experiência de busca: quem entra no portal encontra opções, compara, volta e decide com mais segurança.
No ecossistema do anúncio digital, audiência e número de anúncios alimentam-se mutuamente. A funcionalidade do site foi projetada para reduzir atritos, conectando diretamente interessados e anunciantes. Em vez de uma ferramenta de chat, cada anúncio é vinculado ao WhatsApp do anunciante, o que encurta o tempo de resposta e aumenta a taxa de conversão. Com aproximadamente 15 milhões de visitas por mês e um inventário que ultrapassa cinco milhões de anúncios, o Chaves na Mão opera em alto volume e relevância nos principais canais de aquisição, incluindo mídia paga, tráfego e geração de leads via WhatsApp.
Mas o crescimento do Chaves na Mão nas plataformas aconteceu sem perder de vista o propósito inicial: facilitar a experiência do usuário. "Queríamos páginas que respondessem rápido, filtros que entregassem resultados precisos e uma arquitetura pensada para ranquear melhor", explica Flávio.
A empresa vem modernizando sua operação ao levar sistemas antigos para a nuvem, adotando ferramentas que permitem acompanhar melhor o desempenho e automatizar processos com Inteligência Artificial (IA). Essas mudanças ajudam a ampliar a plataforma sem perder qualidade e garantem maior previsibilidade. Além disso, a empresa busca parcerias estratégicas com provedores de tecnologia, instituições financeiras e grandes players do setor imobiliário e automotivo, para fortalecer ainda mais sua atuação. A visão inclui também fortalecer a distribuição por meio de veículos de mídia e plataformas de audiência, ampliando alcance e acelerando a geração de demanda.
O futuro do hub Imobiliário e automotivo
Crescer sem capital externo impôs restrições, mas também forjou competências: entendimento profundo das áreas, disciplina comercial e foco no retorno de cada investimento. "A falta de dinheiro virou vantagem, pois nos obrigou a entender profundamente cada área", observa o CEO. No centro dessa estratégia está a gestão orientada por dados, que monitora indicadores que vão do tráfego orgânico à qualidade dos leads, passando por métricas de retenção de anunciantes e experiência do usuário. Essas informações guiam decisões sobre produto, marketing e operação, assegurando que inovações sejam escaladas apenas quando comprovam valor.
O horizonte dos próximos três a cinco anos aponta para uma expansão do papel do portal: integrar etapas da jornada do cliente — como crédito imobiliário e automotivo, garantias locatícias, seguros e serviços de documentação — e elevar a personalização por meio da IA. A intenção é transformar a descoberta em jornada completa, reduzindo a fragmentação que ainda exige transações em múltiplas plataformas. Ou seja, a visão de futuro da empresa é permanecer fiel ao objetivo que guiou sua fundação: descomplicar e acelerar o mercado de compra e venda de bens, reduzindo fricções e encurtando jornadas.
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