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Porto de Hainan, a inovação chinesa em grande escala

A ideia é que ele esteja em plena operação em 2025 e seja a maior zona econômica da China em 2050, na linha de frente da integração do país com a economia mundial
O governo chinês pretende que até a metade do século o porto de livre comércio de Hainan ultrapasse Hong Kong, e se constitua em forte concorrente industrial de Taiwan

Hainan é uma ilha e é também uma província, localizada no extremo sul da China. Uma grande ilha, com 35 mil quilômetros quadrados (equivalente a 71 vezes a área de Porto Alegre), 10 milhões de habitantes, seis universidades e duas cidades: Haikou, a capital, e Sanya, com lindas praias e mar tropical. Quando eu estive lá, em 2005, me senti no Brasil. Sem exagero, Hainan é o sinônimo chinês para turismo de verão. Até agora. A partir de 1º de junho, com o anúncio pelo presidente Xi Jinping do novo porto de livre comércio em Hainan, a ilha nunca mais será a mesma. A começar pela população, que sem dúvida aumentará muito nos próximos anos, tal a expectativa de oportunidades e as demandas geradas pelo megaempreendimento.

O presidente destacou que o porto de Hainan é uma decisão estratégica significativa para impulsionar a inovação, de grande importância no progresso da reforma e abertura da China. Decisão estratégica integrante do conjunto de seis zonas de livre comércio criadas, em agosto de 2019, nas províncias de Heilongjiang, Shandong, Jiangsu, Guangxi, Hebei e Yunnan.
Pode-se imaginar as dimensões do porto que será construído e da sua conexão com atividades econômicas que serão implantadas na ilha. A ideia é que ele esteja em plena operação em 2025, "mais maduro" em 2035, e seja a maior zona econômica da China em 2050, na linha de frente da integração do país com a economia mundial. Significa dizer que o governo chinês pretende que até a metade do século o porto de livre comércio de Hainan ultrapasse Hong Kong, e se constitua em forte concorrente industrial de Taiwan.

Ao abrir essa enorme frente na região sul, que certamente beneficiará também as províncias próximas de Guizhou e Yunnan, e a região autônoma de Guangxi Zhuang, as três entre as menos desenvolvidas do país, o governo chinês na prática cria as condições para gerar parte dos 9 milhões de empregos que o primeiro-ministro Li Keqiang apresentou como meta para 2020. Conta para isso com a estruturação de 11 parques industriais em Hainan, nas áreas de turismo, "serviços modernos" e tecnologias avançadas. Esses parques, tratados como "pilotos", projetos inovadores em vários aspectos, atrairão investimentos privados e estatais, alavancando o porto de livre comércio como um grande polo de desenvolvimento de toda a região sul da China.

É preciso olhar no mapa para se compreender melhor as decisões chinesas. A inédita base militar (também em localização estratégica) em Djibouti, na entrada do Mar Vermelho, faz parte dessa "engenharia geopolítica" no tocante à sua investida na África. Hainan e as novas zonas de livre comércio abertas no país, da fronteira com a Rússia, no nordeste, à fronteira com o Vietnã, no sul, impulsionarão muito a relação comercial por via marítima da China com todos os países do Leste da Ásia, assim como acontece por via ferroviária na "Rota da Seda Século 21" no Oeste do país, na Ásia Central e Europa.

Resultará de tudo isso o esvaziamento gradual de Hong Kong, algo que estava escrito que aconteceria um dia, por várias razões – a principal delas o poder comercial e financeiro que esse grande entreposto adquiriu, tornando-se um custo adicional para muitas mercadorias.

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Sábado, 08 Agosto 2020

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